30/10/2008

I want to be free... “”reticências!


“Esse é um momento histórico que vivemos no país”, disse Ribeiro Ritacco Marcelo em seus cinco segundos de fama em horário nobre na TV Record, em em 2002. Pois é, suas palavras eram referentes a demolição do Carandiru e nada tinham a ver com o que esse senhor viveria seis anos depois durante intensos 180 dias, quando desembarcou na Itália com sua preciosa e graciosa esposa. Espera, sorrisos, choros, saudades, ansiedade, viagens, espera, espera e espera...

Mas hoje, 30 de outubro de 2008, às 8h40, suas palavras retomaram sentido. Só que agora com ele próprio sendo o centro das atenções, falando sobre o seu momento, a era do segnore Ritacco, o mais novo italiano. “Sono diventato cittadino italiano, un schiffo in persona e parlo solo italiano. Che cosa parla in Brasile, é Espagnolo?”, pergunta ele.

É, pessoal, mal ganhou a dupla cidadania e já está assim, ai ai ai! Vou traduzir suas palavras tão simpáticas e humildes, pois estou concorrendo a um cargo de sua assessora de imprensa e quem sabe ganho a vaga e a cidadania também: “virei um cidadão italiano, um nojo em pessoa e só falo italiano. Aliás, que língua fala mesmo no Brasil, espanhol?”.

É difícil expressar o que estamos sentindo agora. Realmente difícil, mas farei uma breve passagem:

- Em 10 de janeiro de 2008 Marcelo é disponibilizado no mercado pela companhia onde trabalhava. Inicia então os contatos com pessoas em cidades italianas a fim de obter o máximo de informações sobre cidadania e realizarmos nosso sonho tão antigo de morar no exterior. Para quem não sabe, esse sonho começou na primeira vez em que namoramos, em 2000;

- Em 28 de março eu me despeço da In Press para auxiliar o amado marido nas mudanças da casa e decisões finais da viagem;

- Entre 28 de março e 20 de abril sucederam-se as despedidas com os queridos familiares e amigos. MARAVILHOSO! NOS SENTIMOS AS PESSOAS MAIS QUERIDAS DO MUNDO!

- Em 21 de abril embarcamos para a Itália, com o coração apertado. Recebemos várias surpresas de parentes e amigos no aeroporto, que nos fizeram chorar durante as 14 horas de vôo. Os passageiros no mínimo achavam que estávamos indo rumo a Bagdá (Iraque).

- Em 22 de abril chegamos na França, onde perdemos nossa escala e entramos na Itália sem ter o passaporte carimbado. Muita sorte e muito Deus, uma vez que pude permanecer por três meses a mais que o permitido na Itália e de forma legal.

- Em 31 de abril o Marcelo deu entrada na residência, primeiro passo para fazer a cidadania, mas que só foi concluída após 72 dias;

- Dia 31 de julho Marcelo dá entrada na cidadania e recebe informações de que deve aguardar. E aguardamos tanto, que todos os dias arranjávamos o que fazer: viajamos de bicicleta para uma cidade que faz divisa com a Áustria, lemos livros e conhecemos países como Espanha e Alemanha. O único problema é que a sensação de férias vai acabando e você começa a se sentir impotente durante a espera.

- Dia 1 de setembro alugamos um apartamento para morarmos sozinhos, nada melhor para um casal, apesar de termos sido muito bem recebidos pela Tata e Amarildo. Esperamos três meses para conseguir alugar o apto e quando havíamos desistido, ele bateu em nossa porta.

- Em 4 de setembro viajamos para Barcelona para a casa de amigos, Amanda e Thiago, e depois para Roma. Ao voltarmos dia 18, ao contrário da cidadania, recebemos uma carta dizendo que faltava um documento, um documento complicado de conseguir no cartório, que teria que passar por aprovação da juíza de São Paulo e deveria ser traduzido e legalizado no Consulado.

- Nossa primeira reação foi entrar em desespero e ir para debaixo da coberta. Eu só chorava, chorava muitooooooo...Depois de alguns minutos, levantamos e fomos correr atrás do prejuízo. Graças às nossas famílias e por incrível que pareça, pela competência do cartório, conseguimos resolver nosso problema em tempo recorde.

- A espera pela chegada do Sedex foi angustiante, mas ... eis que chegou e no dia 13 de outubro entregamos ao Comune (prefeitura) o documento que faltava. Nos disseram para esperar, que não existia previsão, básico para um país burocrático como a Itália, mas...

 - Dia 30 de outubro o meu gatinho finalmente assinou a cidadania, é mole? É mole mais sobe! Não é plagio não, é do macaco Simão. É hoje um cidadão italiano e exatamente uma semana antes de ser contratado para trabalhar em um grande hotel da cidade. Também uma semana antes de vencer meu permesso de turista...uhuuuuuuu. Vencemos a cidadania! Vencemos a cidadania! Quem acompanhou de perto, quem vive ou já viveu esse momento sabe o que é!

Obrigadaaaaaaaaaaaa a todos, principalmente por nossa família, pela força psicológica, pela ajuda com os documentos, a Tata e Amarildo, por tudo!

PARABÉNS MÁ! TE AMO! VOCÊ MERECE! 

Agora o mundo ficou pequeno. I want to be free! E como diz o Má, “Hoje até o prefeito de Trento (norte da Itália), que assinou minha cidadania, me conhece”...hahahah...totalmente convencido! 


3 comentários:

Anônimo disse...

Estamos felizes por vocês, conseguiram já dar os primeiros passos.Tudo ficará mais fácil agora.
Espero vocês com uma italianinha aqui.

Beijos

Vivi disse...

Erica e Marcelo (conhecidos carinhosamente como o casal),

fiquei muito feliz ao receber a tão aguardada noticia 'pessoalmente' :) Sei exatamente a felicidade que vocês estão sentindo neste exato momento e gostaria muito de estar ai para comemorarmos... Sei também muito bem de todas as dificuldades passadas, momentos de desespero e choro, saudades do nosso Brasil brasileiro, sentimento de impotência quando acaba a empolagação das férias e indignação das loucuras da famosa Dona Carmen (claro que não podia deixar de mencioná-la)...

Porém, as maiores conquistas são alcançadas com os maiores esforços. E vocês alcançaram! Nós alcançamos! E hoje, tenho certeza que vocês vão olhar para atrás e dizer com orgulho que tudo isso valeu muito a pena!

Que venham novos sonhos e conquistas ;) Parabéns Marcelo italianinho! Ma daiiiiiiiii!
Felicidades!

Espero ansiosamente nos encontrarmos em algum canto da Europa. Ah, e o convite de Ano Novo na Holanda permanece ;)

Um grande beijo,

Vivi, italianinha

:D

Érica disse...

Ah, quem foi o anônimo que deixou essa mensagem tão bonita para a gente? Espero que volte para dizer.

beijos, Erica