25/01/2009

Histórias para contar


Esta semana conversei com minha bisavó, que hoje tem 90 anos, e fiquei imaginando quanta alegria, insegurança, tristeza e história existe por trás de seus olhos azuis e de sua pele hoje toda enrugada. Então me dei conta que daqui alguns anos também envelheceremos, nossa pele ficará enrugada, teremos nossos filhos, netos, bisnetos e muitas, muitas histórias para contar. Cheguei à conclusão de que a gente passa a maior parte de nossa vida planejando e imaginando o futuro.

Nós planejamos o estudo, o trabalho, a profissão, o casamento, os filhos, as viagens, os happy-hours, as aventuras, os encontros e os reencontros, mas quando o futuro chega, já estamos idealizando o futuro novamente e nem nos damos conta de que o tempo passa numa velocidade absurda. Os anos voam e a vida te cobra cada vez mais responsabilidade e maturidade, o que leva a continuar planejando intensamente. E essa rotina frenética de sempre ter que se planejar faz com que esqueçamos que somente o hoje é real, que o amanhã é incerto, que temos que começar a sentir cada momento, todo o instante, a demonstrar carinho, a aproveitar de verdade as nossas conquistas, que afinal foram tão planejadas.

Sinceramente, tenho a impressão de que essa procura incessante pelo amanhã é uma forma que o ser humano busca para se proteger do medo de se frustrar, mas ao mesmo tempo, quando concretiza seus sonhos não os valoriza ao máximo. Quem nunca passou a noite numa praia deserta esperando o dia amanhecer? Quem nunca se sentou sozinho na areia da praia simplesmente para sentir o mar, para se sentir? Quem nunca decidiu uma viagem de uma hora para outra, sem pensar nas conseqüências? Quem nunca se entregou ao amor, só por amar ou embarcou em uma aventura, por embarcar? Quem nunca saiu sem direção e resolveu o que fazer na hora que teve vontade? Quem nunca provou acampar, beber até cair, gargalhar e não só sorrir?

Nós decidimos mudar tudo, recomeçar, aprender línguas, culturas e humildade. Nós optamos primeiro por viver aquilo que acreditávamos ser o certo, deixando um pouco de lado tudo o que a nossa sociedade sempre mostrou ser o correto, deixar a profissão adormecida por uns tempos, as marcas nas lojas, a correria do dia-a-dia e as aparências de lado. Decidimos tudo isso e acredite, o que realmente nos faz falta são vocês: nossos familiares e amigos, que representam nossa história, os momentos que vivemos sem planejar, que simplesmente vivemos.

Hoje, queremos fechar nossos olhos e amar, sonhar, viajar, mas acima de tudo, queremos viver e sentir cada instante, ouvir cada música e a cada dia mais nos apaixonar mais pela vida, porque sabemos que são esses os momentos que escreverão nossa história.

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