18/04/2009

De malas prontas: Milao

Na pròxima semana, provavelmente dia 26 de abril, jà estaremos mudando para Milao. Aproveitamos a tranquilidade de Trento, fizemos a cidadania, meu permesso e agora iniciamos o processo da minha cidadania. Fizemos coisas que nunca tivemos a oportunidade em nossas vidas e acreditem se quiserem, conseguimos sentir FALTA da correria e loucura da cidade grande, do ritmo frenètico, do metro cheio... AFINAL SOMOS PAULISTANOS!

Nossa mudança para Milao vem para nos dar mais pique e folego e nos trazer possibilidades diversas de estudo e trabalho. Estamos virando a pàgina de Trento, cientes de que conhecemos lugares, lingua, cultura e pessoas que sem duvida nos fizeram crescer demais! Fizemos AMIGOS, alguns que jà se foram para outro pais como a Vivi (Holanda), outros que chegaram como o casal de americanos Jennifer e Jeff, e muitos outros tao queridos que permenecem por mais tempo aqui e estarao sempre em nossos coraçoes, como os Burigo, os Antiveros, os Firminos, o Zerbinatti, o gato Felix (Rubèrtoooo), Aristoteles, Mafra, Nice's family, Vecchi e nao podia me esquecer do Thiago e da Amanda, que apesar de nos conhecermos antes, posso dizer que na Europa nos transformamos em amigos e confidentes.

Aliàs, pode parecer redundante, mas vou escrever porque no dia em que eu e o Marcelo estivermos velhinhos quero me lembrar do que estamos sentindo hoje( abril de 2009):

Viver fora do seu PAIS, do seu ninho, longe da familia, amigos, cultura e de tudo aquilo que nos é comum, acessivel e confortàvel, te faz crescer absurdamente e como disse uma vez a Alberola, te faz lidar todos os dias com seus defeitos e fraquezas, assim nao tem como nao se aprender. Torna-se impossivel depois dessas experiencias continuarmos pessoas completamente intolerantes, inflexiveis e donas da razao. Bom....para virar a pagina insiro um poema do Fernando Pessoa, maravilhoso e que identifica bem o momento de hoje.

Encerrando Ciclos

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão

Fernando Pessoa

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