11/02/2010

Vivendo...

Quando estamos no Brasil passamos boa parte do tempo reclamando de nossa realidade, das dificuldades, dos problemas. Reclamamos porque temos botecos, porque chove, porque não chove, pelo trânsito, pela política, pelos impostos, por causa dos empregos. Definitivamente reclamamos de tudo! Dai, quando estamos longe, tudo aquilo que era motivo de lamentação vira razão para termos SAUDADE. Acho que o ser humano deveria parar de reclamar e tentar olhar por outras perspectivas. Incluo-me nisso. Viver fora te faz entender muitas coisas e te pressiona diariamente contra o muro. Volto ou não volto? A cada dia é mais difícil ficar. A cada dia é mais difícil voltar...

Eu amo meu Brasil e os meus elos fiéis estão lá, mas também amo as possibilidades que a Europa nos dá de viver, de comer coisas diferentes, de aprender cada dia algo novo.

Eu amo meu Brasil, mas amo não ter como opção somente ir para o litoral sul no final de semana, porque sou uma assalariada comum. Amo de todo o coração a riqueza que temos, a nossa simpatia, mas me sinto motivada em conhecer outras línguas e pessoas de mundos diferentes.

Eu amo meu Brasil, mas gosto de me sentir segura quando saio nas ruas e ver que existem muitos locais onde a hipocrisia humana ainda não impera.

Eu amo ver que existem inúmeras possibilidades de você ser você e não ter que ser algo que os outros admiram, porque talvez só assim alcançará o sucesso.

Eu amo poder falar e escrever o que todo mundo muitas vezes tem vontade de fazer, mas finge não concordar porque pode trazer problemas futuros.

E mais, eu amo meu Brasil, meus familiares e amigos da maneira mais pura, mas amo a liberdade de poder ir e vir, de ser e estar, de entender o mundo vivendo e não somente lendo ou assistindo filmes e documentários, de perceber que mudo como pessoa constantemente.

Acima de tudo eu amo ser cidadã do mundo e ter um marido que é essencialmente feito com as mesmas paixões e ideologias que eu, que tem grande fascínio por conhecimento, que admira um bom vinho, que sabe dar boas gargalhadas e que sabe se divertir muito com pouco.

Hoje eu olho as pessoas que moram aqui, que a vida inteira tiveram tudo aquilo que viemos buscar aos 28/31 anos, mas simplesmente não dão valor. Me dou conta de que eles encaram as coisas como nós encarávamos em São Paulo e percebo que nossa maneira de viver è considerada por muitos apenas uma grande aventura. E amo saber que è possível se aventurar e crescer enquanto os anos passam.

A única sensação que realmente me aflige é acreditar que talvez voltemos a morar no Brasil, mas que provavelmente ao termos uma vida normal, com os nossos familiares e amigos, com o mar e com o sol, possivelmente, ainda assim a duvida continuará fazendo parte de nossas vidas "volto ou não volto"?

Autoria: Erica Moreira Ritacco

2 comentários:

Fabiana Schiavon disse...

Demais, Moreira, é a sensação que todo brasileiro deve sentir ao morar na Europa. Gostamos daqui porque nascemos aqui, somos brasileiros, mas é duro admitir que nosso próprio país nos dá as costas diariamente. Falta saúde, educação e não só para os tão pobres. Nós estudamos e ainda ralamos para ter os direitos mínimos...ufa, desabafo total! saudades, bjos

Erica Moreira disse...

E o pior Fabi, é que infelizmente nao é somente nosso pais que vira as costas para a gente. Me entristece perceber que em varios lugares. Aqui na Italia eles conseguem ser muito pilantras tambem, com uma diferença de que a populaçao nao é atingida fria e terrivelmente como o povo brasileiro, que deve conviver com a vergonha de nao ter acesso ao bàsico, como educaçao e cultura.

Precisamos mudar essa realidade. Isso è imprescindivel