24/05/2010

I Tre Inverni della Paura: Os três invernos de medo


"Tudo no Estado. Nada fora do Estado. Nada contra o Estado."

Não é preciso muito para saber que a frase acima trata-se de um dos períodos mais tristes da história: o FASCISMO. Em I Tre Inverni della Paura, o autor e jornalista Giampaolo Pansa, aborda detalhadamente momentos vividos pelos italianos nos anos em que o fascismo dominou o País. Pansa se ambientaliza em Reggio Emilia, Itália, pós primeira guerra mundial e se apoia na história de uma familia (personagens imaginários) que enfrentou dificuldades que muitos pais e maes não gostariam nem de sonhar.

A história gira em torno dos seguintes personagens: Agostino (pai da familia), a Angiolá (a babá), Nora (a filha mais velha de Agostino), Carlo (o caçula), Giulio (o noivo de Nora, enviado para combater na Russia na segunda guerra), Anita Iotti e Cesare Iotti (pais de Giulio), Nelson (um "amigo" que teve importância fundamental na vida de Nora e que os protegeu até o último minuto), os jovens Giovanni (fascista) e Paolo (comunista), além de classes sociais que lutavam por algo que no início era um belo ideal, mas que depois simplesmente se perdeu, transformando-se em vingança, violência, ódio e extorsão.

O livro mostra que no princípio ambas as ideologias, fascista e comunista, tinham como objetivo a luta por uma vida melhor. No entanto, os erros de uns impulsionaram a destruição e os erros dos outros. Se a princípio o foco era nacionalismo e igualdade social, respectivamente, mais tarde o autoritarismo, o totalitarismo, o nazismo, o militarismo, o ódio aos comunistas resultaram em sangue jorrado. Os comunistas e socialistas que também eram obstinados por uma reforma agrária e fim da pobreza, mas ao lutarem contra os fascistas e vencerem, adquiriram características muito similes às suas, assassinando, roubando e estuprando. Entre os dados compartilhados com o leitor está o número de mortos apòs a data de libertação (25 de abril de 1945), ou seja, dia em que o fascismo caiu e os comunistas passaram ao poder: nos primeiros dois meses da suposta paz foram assassinadas 436 pessoas.

Pansa não enfatizou Benito Mussolini, embora em meu ponto de vista, teria sido interessante mostrar um pouco deste lado. Ele poderia ter explicado em linhas gerais que Mussolini, o fundador do fascismo em 23 de março de 1919, em Milão, foi comunista até 1914 e somente depois passou a negar o socialismo, o liberalismo e a democracia.

Morando por aqui me sinto fascinada para compreender esse povo, às vezes tão resistente às mudanças, outras tão fechados e receosos e outras tão apertos. Alguns dias saio pelas ruas pensando "caramba, há pouquissimo tempo nessas ruas existiam bombardeamentos, fome, medo". Um senhor que trabalha comigo me contou que seu avô era comunista e o irmão dele fascista. Na guerra civil se encontraram numa situação em que um deveria optar por assassinar o outro ou sofreriam consequências gravissimas. No final decidiram por sofrê-las. Dá para imaginar, dentro de uma mesma casa, dois lados tão opostos que colocavam em risco toda a familia. Pois é, isto é fato.

Enfim, para quem gosta de história I Tre Inverni della Paura é um prato cheio e deixa um gostinho de quero mais, estimulando o leitor a buscar os outros dois títulos da trilogia, La Grande Bugia (A Grande Mentira) e Il Sangue Dei Vinti (O Sangue dos Vencedores).

Estes já entraram na minha lista.

Arrivederci, Erica.

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