23/10/2011

Viagem pela Grécia - Parte 3

Nos últimos cinco dias de nossa viagem fomos para Agia Marina, onde tínhamos alugado o outro apartamento. A viagem seria longa, mas não tínhamos pressa, decidimos estudar bem o guia e escolher o local mais apropriado para aproveitarmos o dia. Tínhamos duas opções: cidadezinhas históricas, turísticas e importantes pelo comércio e as praias paradisíacas, desertas e de difícil acesso. Para quem nos conhece, sabe qual foi a nossa escolha. Pé na estrada, muita estrada estreita, perigosa e assustadora. 
Quanta adrenalina! Andamos por mais de três horas e chegamos em Agios Pavlos, onde presenciamos o mais bonito pôr-do-sol, que inclusive virou a página de capa deste blog.
A praia é famosa por suas dunas, por estar localizada em um local de difícil acesso e por ser extremamente selvagem e coloca selvagem nisto.
Nos outros dias fomos conhecer as praias mais bonitas que vimos em toda a Grécia e para ser sincera as mais incríveis que já conheci em toda a minha vida. Eu costumava a dizer que Aventureiros, em Ilha Grande, era imbatível, mas hoje considero que Ballos e Elafonissos são, sem dúvida, as mais belas. Agora vamos passear um pouquinho pela Grécia. 
Primeiro fomos para Elafonissos, uma praia que mais parece um parque aquático. 



Elafonissos é conhecida por ter um mar azul turquesa, a areia branca e fina, algumas vezes com um tom avermelhado e por ser a meta de muitos naturalistas.

Como não é novidade na Grécia, esta é também uma praia toda rústica e bem cuidada, mas que possui uma característica bem particular: é longuissíma e rasa. Você pode caminhar por cerca de um quilômetro e meio e ainda assim a água não ultrapassará o seu joelho. MARAVILHOSA!

Ballos é outra praia inesquecível, que pode ser alcançada de carro ou de balsa. Eu nem preciso dizer qual foi a nossa escolha, né? Decidimos ir de carro exatamente por ser muito mais emocionante: 10 quilômetros de estrada desterrada, no meio de abismos e cabras por todos os lados. Quando a estrada acabou fizemos uma trilha de 30 minutos. Caminhamos bastante, mas quando olhamos ao redor tivemos a certeza de que cada passo valeu muito a pena. Ficamos boquiabertos!







Por fim, conhecemos a praia de Falasarna, famosa por proporcionar aos turístas um dos mais bonitos pôr-do-sol da ilha. Ah, eu estava me esquecendo de dizer que compramos um snorkel para explorar o mundo dentro do mar. Você não pode ir para a Grécia e não levar um desses.  

Tudo lindo, tudo maravilhoso mas como tudo que é bom dura pouco, o último dia não demorou para chegar... e chegou! Se a pressão psicológica da partida tinha batido em nossa porta, mudando nossos humores, a Grécia resolveu nos presenciar mais uma vez e dessa vez inesperadamente. 

 Nosso hotel era na areia da praia, mas como nossas metas turísticas eram outras, acabamos entrando no mar dessa praia somente uma hora antes de deixarmos o hotel e como despedida ganhamos um presentão: a praia era lotada de peixes, dos mais diferentes tamanhos. A gente nadava e brincava com eles. Nos sentíamos crianças com brinquedos novos. 
No último dia fomos para Chania, uma cidade de porto, bonita mas muito comercial, onde para variar nos matamos de comer.
 
Gastrônomia:
Não posso deixar de mencionar a culinária local: é realmente demais! Já comentei sobre o Pita Gyros, salada grega com tzatziki, queijos, moussaka, carne de carneiro, frutos do mar, sempre acompanhados da cerveja Mythos e para encerrar um bom digestivo grego como Ouzo ou Araki. 

Dicas de hotéis: 
Esses foram os hotéis em que ficamos e recomendamos. 
1)Hotel Irini Apartments
Endereço: Hersonissos
Hersonissos, 70014
Grecia
Telefono +306957507546


E-mail kpanagiotaki@ate.gr
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2) Hotel Atlantida Mare
Indirizzo Main Street
Agia Marina, 73100
Grecia
Telefono +302821060966


E-mail info@atlantida-mare.com

Aluguel de carros: conforme comentei no primeiro post, vale a pena ficar atento com as empresas que alugam carros, pois se você aluga pela internet e utiliza o cartão de crédito não significa que o carro está reservado. Alugamos com a Caravel e quando chegamos lá, o funcionário nos informou que não tínhamos limite no cartão de crédito, o que era impossível, pois nosso limite era mais alto do que o valor que eles solicitavam. No final das contas tivemos que pagar mais caro, pois não aceitaram o cartão. Confira bem as informações antes e faça uma boa viagem!

09/10/2011

Viagem pela Grécia - Parte 2


Hersonissos, Mália e Agios Nikolaus são praias em cidadezinhas muito badaladas, famosas pela imensa opção de bares, restaurantes e discotecas. São os locais ideais para quem gosta de curtir a noite e ter opções para comprar souvenirs. Fomos para Agios Nikolaus durante o dia, mas como nossa meta eram as praias resolvemos colocar o pé na estrada em busca de mais aventuras e foi nesta hora que encontramos a belíssima praia de Espinalunga. Pequena, água cristalina, rústica e ao mesmo tempo toda charmosa. Por mais de uma hora a praia foi somente nossa e de mais um casal de italianos.
 Acontece que quase ninguém sabia que era possível chegar lá de carro, pois o guia de turismo de Creta informa que só é possível chegar na praia de balsa. No entanto descobrimos uma estradinha que nos levou à uma trilha e finalmente à Espinalunga. Tudo estava lindo até que várias balsas repletas de turistas começaram a chegar e não tinha mais espaço para ninguém, absolutamente ninguém. Foi aí que nosso colega italiano ao explorar as trilhas próximas encontrou uma praia deserta, na qual passamos o dia todo. 
Espinalonga

Pequena praia, pequeno paraiso

Acelerando sob as trilhas
Umas das coisas mais interessantes da viagem por Creta foi que tantas vezes nem lembramos que aquele mundão era só uma ilha. Foram tantas as estradas, longuíssimas distâncias de um lugar ao outro e a cada quilômetro uma surpresa e paisagens diferentes.
 
Agios Nikolaos
Porto veneziano Nikolaos
 Nos sentíamos um pontinho no meio do tudo ou do nada. Cada local, cidade, praia, vegetação nos faziam agradecer a Deus o tempo inteiro por termos tido a oportunidade de ver tanta beleza.

Grécia: Férias em Creta: parte 1


Olá amigos, 

Estou de volta após uma longa ausência e admito que senti muita falta de ler os blogs de vocês e de receber comentários de pessoas que têm tanta informação, novidades e dicas de viagens para compartilhar. Eu sou jornalista de profissão, o que me faz ser uma blogueira por paixão. Sou apaixonada por esse mundo sem limites e fronteiras e acho o máximo a falta de muros que separam nossos mundos e nos faz melhorar a cada dia. Eu começo a escrever este post me desculpando por ter desaparecido sem dizer nada, mas nao foi por desânimo ou falta de novidades e sim porque estou com outros desafios que requerem mais tempo e dedicação.

Bem, hoje vou começar a contar um pouco sobre a nossa viagem para a Grécia e provavelmente terei que escrever mais de um post sobre esse paraíso. Passamos exatamente nove dias em Creta e garanto que o tempo foi curto para tudo o que a ilha pode proporcionar, se tratando da maior ilha de toda a Grécia. Nos programamos para chegar no aeroporto de Heraklion, pois era próximo ao apartamento que alugamos em Hersonissos.

Hotel a Hersonissos


Aliás vale dizer que decidimos alugar dois apartamentos, um em cada parte da ilha, porque sendo muito grande levaríamos mais de três horas para nos locomovermos de um lado para o outro. Para não depender de meios de transporte por lá, o meu primeiro conselho é alugar um carro com GPS. Isso é fundamental para quem quer realmente aproveitar todos os momentos da viagem, pois os meios de transporte públicos são muito escassos.
Caravel Rent a Car
Quando chegamos no aeroporto, a agência de aluguel de carros, Caravel, já estava nos esperando para nos entregar o veículo que tínhamos alugado há algumas semanas. Atenção com aquelas agências de aluguel mais baratas, pois quando você vai assinar o contrato, o agente diz que seu cartão de crédito não tem limite e com a desculpa de que não pode aceitar seu cartão, te obriga a pagar mais caro. Foi o que houve com a gente, apesar de termos limite no cartão, chegamos no aeroporto quase meia noite e não tivemos muita opção, acabamos pagando muito mais do que havíamos combinado com a empresa pela internet. Outra coisa, prepare-se porque a gasolina lá custa € 1,90 por litro, ou seja R$ 4,50. Caríssimo! Mas fique calmo, pois no geral tudo custa muito pouco em Creta e será um passeio que ficará na memória para sempre. 

Na primeira noite fomos direto para o apartamento que ficava somente há 30 metros da praia. O apto era uma gracinha e para nossa surpresa, chegamos após a meia noite e todos os comércios e restaurantes estavam abertos. Nossa primeira refeição por lá foi uma boa cerveja local, a Mytus, e um típico lanche grego, o Pita Gyros, que tem a aparência de um Kebab, mas que é muito mais gostoso.





Difícil é falar sobre as praias mais bonitas de Creta e impossível comparar suas belezas com qualquer outro local que já visitamos. Creta é completamente rústica, selvagem, com uma vegetação seca, colinas para todos os lados, estradas muitas vezes desterradas e perigosas, em  meio à precipícios.

Creta consegue unir o charme e o bom gosto com uma beleza natural e rústica, sendo capaz de hospedar mochileiros de diversas partes do mundo e pessoas que buscam o conforto e o bem-estar. Espero mostrar para você um pouquinho de toda essa maravilha.
Em nossos primeiros dias na Grécia resolvemos ir a Ilha de Chrissi, sem dúvida um dos locais mais bonitos que conhecemos. A única coisa chata é que só é possível chegar lá de balsa e você acaba sendo obrigado a seguir os horários da excursão. A balsa te deixa em um lugar, em que você precisa fazer uma pequena trilha para chegar na parte mais bonita da praia e ao caminhar por ali, surpresa: encontramos vários aventureiros acampando no meio daquele paraíso natural.

01/09/2011

A gosto di Dio

Tenho estado muito ausente, sem imaginação, sem disposição e sem tempo para escrever no blog. O mês de agosto, que em teoria seria muito calmo e passaria devagar, simplesmente voou. Foram 31 dias, que desta vez me pareceram uma semana. Digamos que terminei um livro mais rápido do que eu esperava, não consegui estudar o que eu queria, não pratiquei tanto esporte, escrevi pouquissimo no blog, mas ao me dedicar para outras coisas importantes acabei obtendo resultados muito positivos, o que fizeram agosto se tornar um dos meses mais produtivos que já tive por aqui.

Durante este período aproveitei meu tempo para buscar outras possibilidades de trabalho, que pudessem me trazer mais motivação, satisfação, experiência e principalmente crescimento profissional. Posso dizer que este mês foi muito intenso, com alguns acontecimentos que a princípio pareciam negativos, chateações e stress, mas na verdade todas essas situações foram necessárias para encerrarem um ciclo. Em outras palavras encontrei um trabalho novo, com o qual me identifiquei muito e que tenho certeza que será uma experiência muito positiva para minha trajetória pela Europa.

Além disso, resolvi retornar com as aulas de inglês, pois percebi que sem utilizá-lo acabo esquecendo seja a gramática, que o vocabulário. Desta vez preferirei as aulas particulares, com ingleses que vivem por aqui, ao invés de ir até a escola e me adequar aos horários malucos que existem em Milão.

Além disso, como alguns sabem, sábado viajamos de férias para a ilha de Creta, na Grécia, onde passaremos nove dias. Eu sinceramente não vejo a hora de terminar a semana e poder acordar domingo no paraíso. Foram dois meses de pesquisa para selecionarmos o que realmente valeria a pena conhecer em poucos dias. Desta vez acho que iremos nos superar, pois escolhemos lugares sensacionais como Ballos, Esafonissos, Chrissi, etc. Pesquisamos tanto que conseguimos encontrar hotéis, vôos, aluguel de carro a preços inimagináveis. Pois é, tudo isso fez do mês de agosto, que tanta gente considera completamente parado, um mês bem produtivo. Nós só temos a agradecer porque 2011 tem sido realmente sensacional!

16/08/2011

Livro Um Dia


Já considerado um clássico da literatura inglesa, a obra Um Dia, de David Nicholls, é um romance muito envolvente que fala sobre a vida de dois jovens que acabaram de concluir a faculdade, Emma Morley e Dexter Mayhew. A história começa em 15 de julho de 1988, quando os dois se formaram e passaram a noite juntos. Daí nasceu uma grande amizade - repleta de altos e baixos - que poderia se transformar em um sentimento novo para ambos.

Ela, uma jovem muito centrada, insegura, de certo modo anti-burguesa, com o grande ideal de mudar o mundo ou de fazer ao menos uma pequena diferença, deixando sua marca. Ele, um playboy convencido, filhinho de papai, que só pensa em viajar pelos quatro cantos do mundo. Sem nenhuma meta profissional, Dexter é um garanhão que nunca está sozinho. A única coisa em comum entre os dois é o amor e amizade que um sente pelo outro. Nem as brigas, nem as milhas de distância que os separam são capazes de estragar esse sentimento. O interessante é que cada parágrafo do livro descreve um dia do ano na vida de ambos e o autor consegue fazer com que você compreenda como está a vida deles somente contando um dia do conturbado estilo de vida de cada um. 
Não escreverei muito sobre a obra, porque corro o risco de contar a moral e o final da história, no entanto acho que a leitura vale muito a pena, pois reflete um pouco de nossas vidas no decorrer dos anos. Um das primeiras perguntas que eles fazem em 1988 é "como será que estaremos daqui a 20 anos?" David Nicholls revela os próximos 20 anos de Emma e Dexter e isso pode fazer muita diferença para o leitor também. 

E você, já pensou como será a sua vida daqui a 20 anos?

Boa leitura!

PS: O filme estréia no cinema, nos Estados Unidos, em 26 de agosto. Estou ansiosa para que chegue por aqui em breve. Assista o trailer SOMENTE SE VOCê NAO FOR LER O LIVRO!

08/08/2011

A Holanda que você não conhece!

Neste final de semana recebemos a visita de uma querida amiga que vive há três anos na Holanda e de sua mãe que veio do Brasil. Atualmente a minha amiga já está bem integrada na sociedade, estuda doutorado, namora há anos um holandês e vive a rotina da cidade. Isto tudo para dizer que ela nos contou algumas curiosidades da vida por lá, detalhes que um turista não consegue presenciar.

Mudando de casa
O primeiro detalhe a ser mencionado é que os holandeses, EM GERAL, são muito práticos e pouco dramáticos. Digo EM GERAL porque nesta praticidade existem algumas poucas, mas grandes contradições. Vou citar uma delas:

Quando você se muda de uma casa alugada para outra é necessário retirar os pisos. É isso mesmo, você não entendeu errado! Consequentemente, se você está de mudança para outra casa alugada, a mesma não terá pisos, por isso se der sorte do tamanho ser igual poderá utilizar o piso da casa antiga. Caso contrário, terá que gastar dinheiro para comprar outros e colocá-los na nova residência. Minha amiga comentou que lá existe muita propaganda/publicidade/anúncios de venda de pisos. Perguntei quanto custa para retirar o piso e ela disse que na maioria das vezes, os próprios moradores fazem o trabalho para não terem que pagar. Eu não entendi muito bem este raciocínio, mas deve existir uma lógica nisto. Vivi, se você descobrir, me avisa.



Lavando louça
Sabe como eles lavam louça por lá? Enchem a pia com água bem quente, colocam detergente e com uma escovinha (não a bucha) começam a ensaboar os copos, pratos, talheres, panelas, etc. Após isto, sem enxaguar eles colocam no escorredor e usam assim, sem enxágue. O holandês afirma que este modo de lavar é higiênico.



Falando em praticidade
Ela me contou também que conhece um casal que sempre divide as tarefas em casa e que eles definiram os trabalhos de cada um. Ficou resolvido que a moça sempre prepararia as refeições e que ele lavaria a louça. Resultado: logo em seguida o rapaz chegou em casa com uma máquina de lavar louça.  Quer maior praticidade do que esta?



Merenda
Sabia que o holandês leva lanche para o trabalho, pois muitos não recebem ticket refeição e que o almoço é caro por lá? Isso é bastante comum na Europa, mas o interessante é que eles levam o lanche em recipientes próprios, mais do que uma "lancheira". O potinho deles tem o lugar da fruta. É um recipiente feito para colocar o pão, a banana ou maçã (dentro tem o espaço no formato da fruta, do pão). Ela estava contando que a princípio estranhou quando viu aqueles homens engravatados, professores de universidade simplesmente abrirem seus recipientes e tirarem a banana da espécie de "lancheira".



05/08/2011

Apartamento em Berlim

Recebi um e-mail de uma amiga com a dica de um apartamento para alugar, durante as férias de verão, na Alemanha, mais especificamente em Berlim. Embora a cidade ainda esteja na minha lista dos lugares para serem vistos, acho que vale a pena registrar no blog os dados do apartamento e contatos da proprietária, pois além de me auxiliar futuramente, poderá ajudar quem pretende visitar Berlim.

O apartamento fica no 4o andar, tem 80 metros quadrados, dois quartos, cama de casal, sofá-cama para duas pessoas e para melhorar é todo equipado (máquina de lavar, internet sem fio, etc). Localizado a somente 13 minutos do metrô Alexanderplatz, oferece a comodidade de estar em um bairro vizinho a vários bares e ateliês. Eu não conheço o local, mas pelas fotos parece ser bem simpático.

- Endereço: Schierker Str. 21, 12051 Berlin
- Localização: entre S + Str Hermann U. e U8 str Leine.
- A apenas 20 min conexão direta S-Bahn para o Aeroporto Schönefeld

O preço para uma semana no verão é € 200

Deixo o contato da proprietária para quem tiver interesse. 
Contato: Tania - taniotis@googlemail.com
Tel: + 39 328 6768061








02/08/2011

Il bello e il brutto di Agosto


No Brasil pouca gente sabe que em agosto a Itália praticamente pára. Quando eu vim para cá, eu não fazia idéia de que as coisas funcionavam assim. Ao chegar em Milão para trabalhar achei um absurdo as lojas e restaurantes simplesmente fecharem. Pensei: "como pode em pleno verão tudo fechar? E quem trabalha neste período? E onde os turistas almoçam? blá blá blá..."

Contarei um pouco da rotina em Milão no mês de agosto, mas vale dizer que o cenário se repete na maior parte das cidades que não possuem mar. A partir do dia 1 de agosto muitos bares, restaurantes, sorveterias e até farmácias já estão fechados e reabrem somente no final do mês. Quem trabalha neste período deve levar um lanche para o escritório ou se preparar para caminhar muito em busca de um lugar para comprar um panino. Segunda-feira, 1 de agosto, saí em busca de uma farmácia, mas estava fechada, com o aviso de que reabrirão dia 22. Caminhei bastante procurando outra, que também estava com as portas trancadas. Após 20 minutos andando acabei desistindo. A história se repetiu na hora de ir tomar um café depois do almoço. Sem chance, os bares também já estão de férias.

 Em segundo lugar: existe uma redução considerável na quantidade de transportes públicos que estão nas ruas. Quem conta com ônibus ou linhas de metrô para se locomover deve saber que se deparará com longas esperas. Se em um mês comum os trens partem a cada um minuto e meio, durante agosto a espera pode chegar a até dez minutos. Isso sem falar dos trans (trens elétricos), que ao invés de partirem com uma frequência de cinco minutos, pode te deixar esperando meia hora. Digamos que nos horários de pico o intervalo é um pouco menor, mas quem trabalha no período da tarde sabe que a espera será realmente longa e que pegará trem lotado.

Para quem fica na cidade também existem os lados bons: em primeiro lugar as ruas ficam vazias e mais facilmente transitáveis em bicicleta. A cidade vira uma paz! Segundo: é possível encontrar lugar para estacionar o carro, o que é sensacional em Milão, onde a população estaciona até em cima das calçadas. Terceiro: as férias em agosto são caríssimas e portanto quem consegue viajar antes ou depois, sem dúvida acaba economizando.

Por fim, como em julho e agosto as lojas fazem saldo dos mais diversos artigos de verão, quem fica por aqui pode aproveitar e ir aos grandes centros comerciais como Vicolungo e Serravale para fazer umas comprinhas sem gastar tanto e sem pegar fila.

27/07/2011

Por que no Brasil é necessário "ganhar" muito


Você sabia que os Europeus, em geral, mas principalmente os italianos acreditam que o Brasil é um paraíso porque tudo "custa pouco". Sim, na cabeça da maioria das pessoas que eu conheço, nós brasileiros trabalhamos muito pouco, ficamos o ano todo de biquini tomando sol na praia, sambando e ainda assim vivemos maravilhosamente sem  estresse. Quando eu explico como o Brasil realmente funciona e digo que eles têm uma imagem errada do Brasil e que nosso país está se desenvolvendo graças à mudança de comportamento da população, dedicada a estudar, fazer faculdade, cursos de línguas, pós-graduação, entre outras especializações, sempre acabo me deparando com uma expressão de "Oh, veramente?".

Comecei a seguir alguns blogs de italianos e percebi que muitos sonham em viver no Brasil, seja como aposentado, empregado comum ou investidor. A questão é que muitos acham que no Brasil não é necessário ter muito dinheiro para viver bem. Acho que muitos deles ficaram com a imagem do antigo Brasil, do país que já foi conhecido como a República das Bananas, mas que a cada dia cresce e ganha espaço como meta turística e objetivo de vida dos estrangeiros.

Quando falo sobre o preço de um carro zero km, por exemplo, eles ficam boquiabertos e não acreditam. Quando menciono que os brasucas vêm para a Europa fazer turismo e enchem as malas com roupas e perfumes de marca compradas na Europa, pois mesmo fazendo a conversão do real para euro, acaba saindo mais barato, eles também não acreditam. E você que está aí no Brasil também não vai acreditar nas imensa diferença de preços de produtos idênticos vendidos no Brasil e na Itália. Elenco abaixo alguns exemplos que ilustram essa realidade. Peço para que você não faça a conversão da moeda, mas sim pense nos dois cenários e veja como a vida por aí custa caro. Das duas uma: ou no Brasil dinheiro nasce em árvore ou alguma coisa está muito errada!

Preços
Brasil X Itália

1) Compra do mês (básica) em São Paulo para duas pessoas no ano de 2006 = R$ 370. Hoje quanto custa?
    Compra do mês em Milão (com queijos, frutas, carnes e uma variedade de alimentos) = € 200 (É como se no Brasil você pagasse R$ 200, já que ganha em real). Quando estive no Brasil esse valor não foi suficiente nem para comprar cervejas em latinha no mercado.

2) Carro popular no Brasil (Fiat Punto Zero Km) = R$ 40 mil
    Carro popular na Itália (Fiat Punto Zero Km) = € 15 mil

3) Máquina fotográfica profissional no Brasil = R$ 5000
    A mesma máquina fotográfica na Itália = € 800,00

4) Lente objetiva para a camera fotográfica no Brasil = R$ 1889
    A mesma lente objetiva na Itália = € 280

5) Celular Nokia E72 no Brasil = R$ 1365,15
     Celular Nokia E72 na Itália = € 320


25/07/2011

Idas e vindas

Quanta gente já vi chegando e partindo. Pessoas com quem convivemos e construímos uma relação de amizade, respeito e carinho. Pessoas especiais que fizeram parte de nossas vidas, que nos motivaram e auxiliaram com suas experiências. Nos últimos dois anos muitas coisas aconteceram, conquistamos muita coisa boa e conhecemos pessoas inesquecíveis, que acabaram seguindo caminhos diferentes. Não sei como ainda não me acostumei com esse movimento frenético, essas idas e vindas, afinal de contas o ciclo sempre foi e sempre será este.

Hoje estou chateada porque mais uma pessoa que gosto muito, uma grande amiga está voltando ao Brasil. Estou triste porque sei que embora o sentimento de amizade continuará, a rotina de cada uma aos poucos acabará nos distanciando. Por outro lado, estou muito contente por ela, pois tenho certeza de que será muito feliz onde quer que ela esteja.

In bocca al lupo Sandra! Que seus sonhos se tornem realidade!

22/07/2011

Personagens Nazistas: Recordação e Destruição

Durante esta semana li algumas notícias sobre o período do nazismo. Ainda nos dias de hoje o assunto causa polêmica entre jovens e adultos e ao contrário do que nós imaginamos no Brasil, não são poucos os que seguem esse tipo de ideologia. Se para as pessoas normais o Holocausto causa vergonha, digamos que existem muitos neonazistas espalhados por aí, pregando a supremacia como algo positivo. Tenho amigos que estudaram em universidades no norte da Itália, que contam que é normal ver nas paredes das faculdades pichações que são puramente apologia ao fascismo, nazismo, racismo e outra TRISTE série de "ismo".
  
Enfim, não pretendo divagar sobre o assunto, até porque minha opinião a respeito é bem extrema. Porém, acho que vale a pena compartilhar duas notícias que eu li no Corriere della Sera. Apesar de serem fatos distintos e sem ligação, contextualmente os considero bem contraditórios. Explico melhor: uma notícia fala sobre a destruição da tumba de um nazista, que por anos atraiu peregrinos que o adorava. Já a segunda enfatiza o leilão do diário de um dirigente nazista, que foi vendido por 300 mil doláres.  É como se a Alemanha quisesse acabar com terríveis recordações e não alimentar mais a ridícula idéia de supremacia, que ainda impera em diversas partes do mundo. Ao mesmo tempo, a questão da venda do diário, com anotações  e o cotidiano de um hitlerista acaba mantendo a história sempre viva. 



Vamos aos fatos: a destruição da tumba e exumação dos restos de Rudolf Hess, o braço direito de Hitler, foi resultado da decisão da igreja Anglicana, proprietária do terreno onde estavam seus restos. Acontece que todos os anos, no dia 17 de agosto, peregrinos europeus neonazistas visitavam o cimitério de Wunsiedel em Baviera (Alemanha). Tal fato incomodava, obviamente, muitos antifascistas que acabavam fazendo protestos. Em 2004 foram presas 110 pessoas que participavam de uma peregrinação juntamente com três mil indivíduos. Dos presos, 74 possuíam símbolos nazistas e armas. Este ano, a  igreja finalmente colocou um ponto final a este cenário, que acabava mantendo acesas determinadas ideologias. 
  
A notícia sobre a venda do diário, publicada no caderno Cultura do Corriere della Sera, falava sobre desenhos de Josef Mengele, o "anjo da morte de Auschwitz". Com essas poucas palavras já dá para imaginar o que vem pela frente. As informações diziam que foi colocado em leilão, em Connecticut (EUA), um diário com 4 mil páginas do médico nazista, que utilizava os prisioneiros como cobaia nos campos de concentração. Morto no Brasil, em 1979, com 67 anos, foi considerado  uma das pessoas mais terríveis que atuaram no campo de extermínio. Em poucas palavras, era ele quem decidia o destino dos prisioneiros, ou seja, se iriam trabalhar ou se iriam para a camera de gás. Ao mesmo tempo fazia os mais cruéis e bizarros experimentos com hebreus, ciganos, portadores de deficiências e até crianças.

Fazem parte deste diário várias cartas, poesias, anotações e desenhos feitos por Mengele entre 1960 e 1975. Segundo a matéria, o diário explica como ele fugiu da Alemanha para a América do Sul, e consequentemente pode exclarecer que tipo de cobertura política ele tinha nesses países. A casa de leilão Alexander Autographs informou que o diário foi comprado por um colecionista hebreu ortodoxo.
Eu me pergunto se é justo e correto que este documento fique em mãos de somente uma pessoa (propriedade privada), já que trata de assuntos relacionados a uma história que envolve o mundo inteiro. Por que tal documento não vai diretamente a um órgão público, que possibilite o conhecimento e compartilhamento da verdade para todos, que permita aos estudiosos nos ajudar a compreender o que e por que tantas coisas aconteceram. 

 

  
Leia as notícias na íntegra: 

14/07/2011

Desabafo

Eu não gosto muito de desabafar pelo blog, porque acho que as pessoas não são obrigadas a ler chatices, só que estou chateada e para não encher o saco de ninguém, vou escrever aqui mesmo. Desde que nos mudamos para Milão tive a impressão que muitas pessoas esqueceram da gente, inclusive alguns amigos próximos simplesmente passaram a não ter nem sequer tempo de responder e-mails. No início eu fiquei arrasada  com o fato de que eu perdia um tempão escrevendo porque estava sentindo saudades e às vezes recebia uma resposta assim: "comigo está tudo bem, mas você com certeza tem mais novidades do que eu".


Eu chorei muito com a atitude de algumas pessoas, principalmente daquelas com quem mantínhamos contato diário. Eu entendo que todo mundo tenha a sua rotina e uma vida corrida, mas não consigo aceitar que simplesmente não possam perder dois minutos para te escrever uma mensagem. Entendo que o fato de nossas vidas aqui serem bem diferentes da que tínhamos no Brasil faz com que alguns assuntos deixem de ser interessantes, no entanto não consigo fingir que não me chateio quando percebo que os diálogos com essas pessoas acabam sendo monossilábicos. Quando alguém me pergunta como estamos, eu não me preocupo em perder uns minutinhos do meu dia para responder, só que quando faço a mesma pergunta o que ouço é: "está tudo bem". Fim de conversa! FIM DE CONVERSA!

É claro que estamos aqui por escolha nossa e já ouvi isso muitas vezes de pessoas diferentes, só que isso não significa que não precisamos de atenção dos amigos e familiares, não significa que nossa vida na Europa é um mar de rosas. Só quem já morou no exterior sabe como é a rotina, a sensação de insegurança por estar longe do país, por não saber "tirar de letra" algumas situações, uma imensidão de sentimentos como saudade, carência, vontade de estar perto, dúvidas sobre o futuro, impotência por não conseguir auxiliar nos problemas dos outros, etc. É sim uma escolha nossa e sem dúvida ninguém tem responsabilidade com a gente, mas as vezes a ausência de pessoas que sempre foram próximas faz com que você não se sinta querido, com que pareça que não existe ninguém que se preocupa com você.  As vezes sinto que eu e o Marcelo estamos completamente sozinhos por aqui e que ninguém está nem aí para a gente, pois afinal foi uma escolha nossa. 

Pode ser egoísta da minha parte pensar assim, mas às vezes é legal poder participar da vida daqueles que consideramos, às vezes é bacana perceber que nós também somos importantes, mesmo que estejamos distantes pelo simples fato de que nossos sonhos não são como o da maioria das pessoas.

Todos temos nossas inseguranças, medos e dúvidas. Todos em algum momento se deprimem, têm problemas, mas o que me chateia é que parece que cada um vive a sua vida e só. Sim, eu sinto falta de saber das novidades dos meus amigos e das nossas famílias, pois isso é um modo que temos de ficarmos felizes com as conquistas deles, só que sinto que algumas dessas pessoas que sempre considerei não estão nem aí. Não tem como não ficar triste.  Não quero ofender ninguém com minhas palavras, mas esse é um desabafo de algo que vem me incomodando há algum tempo.

11/07/2011

Faria tudo igual!

Neste domingo ficamos em casa com uma casal de amigos, Renato e Paula, quando tivemos a idéia de rever o vídeo de nosso casamento. Que saudades daquele momento. Nos estressamos muito para preparar a festa e a cerimonia, mas no final das contas tudo foi lindo. Nunca nos divertimos tanto em uma festa como nos divertimos em nosso casamento. Estava perfeito e o Má estava elegantíssimo, emocionado, lindo! Ali começou realmente uma grande história. Quantas coisas mudaram em nossas vidas depois daquele dia: uns casaram, outros se separaram, outros tiveram bebê, uns mudaram de emprego, outros ficaram no mesmo e nós mudamos de país, mudamos completamente nossas vidas.


Amadurecemos muito como casal, tivemos que lutar juntos para conseguirmos atingir os objetivos e enfrentar as dificuldades, aprender outra língua, conquistar nosso espaço em um país estranho. Choramos muito, mas sorrimos mais ainda. Nos unimos como nunca e descobrimos o que verdadeiramente significa companheirismo. Deixamos para trás muita coisa que aparentemente nos dava segurança e começamos do zero em busca da realização de um sonho. Garanto para você que não foi fácil, mas quem disse que seria fácil. Ontem me perguntaram se mesmo sabendo dos imensos obstáculos que viriam pela frente, eu faria tudo igual, se eu me casaria, faria festa, deixaria meu trabalho, mudaria de país, etc.

Sem dúvida o faria novamente! Me casaria com o mesmo homem, enlouqueceria em nossa festa, contrataria os mesmos detalhes, pediria demissão do meu trabalho, entregaria minha casa e viria para a Itália com meu marido, porque me considero uma mulher muito feliz. Que delícia é poder olhar para trás e saber que fizemos a coisa certa!





o dia mais feliz de nossas vidas
 
Florianópolis: lua de mel


Paris


Veneza