23/01/2011

Natal e Ano Novo 2011

Aqui estou atrasada novamente para contar nossas histórias. Dessa vez volto ao mês de dezembro para falar sobre nosso natal e ano novo. São datas estranhas quando se vive fora, obviamente porque toda a família está reunida do outro lado do oceano. Para mim o natal sempre foi uma data triste, não sei a razão mas me sinto sempre muito angustiada. No dia 24 de dezembro de 2009 me deu uma crise de choro de ver todos os nossos amigos se organizando para ir para a casa dos pais, para fazer a comida que eu e o Má ficamos muito deprimidos. No final das contas, cozinhamos vários pratos para nós dois e curtimos o natal juntos, afinal nossa família ainda é pequena, mas já existe. Esse ano resolvemos fazer diferente e fomos passar o natal com uns amigos (Luciano e Claudia Battistotti) em Novara, uma cidade vizinha à Milão. 

Chegando lá conhecemos vários brasileiros e passamos bons momentos, além do que fizemos uma ceia perfeita. Uma amiga cozinhou pratos típicos brasileiros que estavam muito bons,  tomamos vinho e ficamos batendo papo até tarde. Foi divertido e não tivemos muito tempo para ficarmos tristes.

O Reveillon também foi bem diferente esse ano, pois como trabalhamos até o dia 31 e já sabíamos que iríamos ao Brasil em fevereiro, decidimos ficar por aqui. Nos anos anteriores os nossos "reveillon's"  na Europa tinham sido em Veneza e em um castelo em Milão. Desta vez uma amiga italiana resolveu festejar na casa dela e nos convidou. Eles decidiram que cada um levaria algo e por razões lógicas ficamos com a bebida (kkkk).  Nos demos bem porque os responsáveis pelos pratos foram as mulheres e sabe como é: cozinha mediterranea italiana, feito por eles... sensacional! O interessante é que durante a ceia eles vão preparando os pratos individualmente, em partes, sem misturar os sabores.
Primeiro trazem as entradas (várias), depois um prato principal que se não me engano foi uma pasta com frutos do mar (que água na boca), em seguida um outro tipo de pasta com salmão, depois carnes, depois lentinha e assim segue durante horas e horas. A maior parte das delícias são preparadas na hora. 
A Aurora, uma grandíssima amiga comprou chapeuzinho e língua de sogra para a festa. O marido dela, o Cicinho, o irmão dele e o Marcelo soltaram os fogos. Não sei como  aconteceu, mas um dos fogos estourou perto do rosto do Cicinho que se assustou e levou um tombo em slow motion. Quando eu vi, o Cicinho estava engatinhando no chão procurando os óculos. Imagine, ele todo grandalhão se arrastando pelo chão! Foi muito engraçado, nós não sabíamos se ríamos ou se ajudávamos. Ah, esse ano também não bebi nadica de nada, pois estava doente tomando antibiótico. Bem diferente né? Digamos que foi muito tranquilo e delicioso.

16/01/2011

Filme Nosso Lar leva mais de 4 milhões de pessoas ao cinema

Finalmente assistimos o filme "Nosso Lar", com direção do jornalista Wagner de Assis. Em primeiro lugar quero deixar claro que para mim religiões e crenças não se discutem, por isso não tentarei convencer ninguém com minha opinião. Eu sou espírita kardecista há alguns anos, embora infelizmente desde que vim para a Itália eu esteja bem distante da religião. Sim, eu acredito em reencarnação, estudei durante quatro anos a doutrina de Allan Kardec, li diversos títulos sobre o assunto, entre eles o livro "Nosso Lar", psicografado por Chico Xavier, por isso eu estava tão ansiosa para ver se o filme seria fiel à história.

Apenas três meses após sua estréia, o filme já contava com mais de 4 milhões de expectadores e já era considerado referência em efeitos visuais na produção. Eu gostei bastante, apesar de esperar um pouco mais, já que eu tinha estudado os detalhes do livro
.

A história tem início quando o médico André Luis, ao falecer devido a um tumor, acorda no Umbral, um local feio, escuro e repleto de espíritos pouco evoluídos e negativos. Após sofrer muito, sem compreender o que estava acontecendo e ser chamado de suicida, André Luis resolveu pedir a ajuda de Deus. Imediatamente foi socorrido pelo espíritos superiores, que o levaram a um hospital, onde recebeu um longo tratamento dentro da Colônia Nosso Lar.

O filme refletiu fielmente o modo como Chico Xavier descreveu a Colônia, os ministérios existentes (Reencarnação, Regeneração, ect), a dificuldade de aceitar que existe vida depois da vida terrena e que a Terra é só uma breve passagem. O longa não chega a discutir chega questões mais complexas sobre como "por que uma pessoa nasce doente, enquanto outras saudáveis jogam a vida fora usando drogas", ou "por que um é rico e o outro já nasce morando nas ruas". Essa discussão não existe pelo simples fato de que o livro não tem como objetivo esse foco. A idéia é mostrar como o espírito chega ao outro mundo, o tempo que demora para compreender e aceitar a sua nova condição, para entender que não pode mais participar da vida dos seus familiares, para amadurecer e trabalhar. É a partir da história real do médium André Luis (pseudonimo) que Chico Xavier e Wagner de Assis traduzem em palavras e imagens uma parte do que diz a doutrina espírita.

Eu fiquei muito satisfeita em ver esse assunto ser levado ao cinema através da biografia do Chico e da experiência do André Luis. Melhor ainda foi a receptividade do público, que mostra que a cada dia está em busca de respostas, apesar de ainda existir muito preconceito e má interpretação sobre a doutrina. Não importa qual é a religião, pois todas elas levam ao mesmo lugar, o que importa é ter o coração puro e ter caridade.

Veja o trailler: 

12/01/2011

Acquapendente (Itália): a cidade onde é proibido ficar doente


Em outubro de 2010 Alberto Bambini, prefeito da cidade de Acquapendente, localizada na província de Viterbo - entre a Toscana e a Umbria - aprovou uma lei que proíbe a população de ficar doente e utilizar os hospitais da região. Desde janeiro de 2011, quando teve início a desativação dos hospitais, o cidadãos são obrigados a não contrair qualquer doença ou patologia que precise de interventos em hospitais, especialmente os casos urgentes. A nova lei exige também que a população tenha comportamentos que não coloquem em risco a saúde, evitando qualquer incidente fora ou dentro de casa.

Para não contrariar as imposições vigentes, a prefeitura considerou oportuno não sair frequentemente de casa, viajar ou praticar esportes. O conselho dado é o de ficar o máximo de tempo em repouso. Quem transgredir a lei poderá pagar multas que serão avaliadas de acordo com a doença ou patologia contraída. 

Ridículo, né? A princípio me faltaram palavras para me expressar sobre o assunto. Apesar de saber que esta lei tinha sido aprovada em outubro, preferi esperar até janeiro para ver se a decisão era para dar ibope ou se o prefeito realmente pretendia levar essa lei a sério.  O mais engraçado e patético é que além da pessoa ficar doente e ter que pagar por isso, a prefeitura solicita algo totalmente incoerente com a qualidade de vida: "não sair com frequência, viajar ou praticar esporte"? Não precisa ser médico ou um expert para perceber a enorme besteira que eles estão dizendo.


No link ao lado segue o documento extraído do site do comune (prefeitura): http://www.comuneacquapendente.it/civitas/ordinanze/ordinanza-sanita_decreto-polverini.doc

É óbvio que o caso citado acima não reflete a realidade do sistema de saúde italiano, que inclusive no meu ponto de vista funciona muito bem, apesar de ser gratuito.

Todo o cidadão legal tem um doutor de família, que em caso de doença vai até a casa do paciente examiná-lo, se o mesmo não estiver em condições de ir ao consultório. O atendimento é gratuito. Caso seja uma urgência, o cidadão vai ao hospital onde será atendido. De acordo com a gravidade da situação, não pagará nada e terá a prioridade de atendimento. Por exemplo, se uma pessoa vai ao hospital com uma dorzinha simples (que deveria ser tratada com o médico da família) será atendida quando não houver mais pacientes graves e poderá pagar uma taxa pela consulta. O paciente que tiver de fazer exames pagará somente um ticket se utilizar o serviço nacional sanitário, ou seja deixando de lado algumas situações bizarras como a de Acquapendente, o sistema de saúde não é um problema na Itália em geral.

10/01/2011

Férias em Barcelona

Noite em Barcelona, próxi ao Castelo de Montjuic

Nesses últimos dias estávamos vendo alguns álbuns de viagem e notamos que deixamos de contar sobre alguns passeios deliciosos que fizemos em 2008, como nossas férias em Barcelona e em Roma. Desta vez vou contar um pouco sobre a inesquecível Barça. Resolvemos fazer essa viagem quando a Comune de Trento nos comunicou que em Setembro daquele ano a cidadania do Má estaria pronta.  Sabendo que a tranquilidade tinha dias contados para acabar e que teríamos que trabalhar muito, depois de quase um ano de férias, decidimos ir para Barcelona, na Espanha.

Ficamos hospedados e muito bem hospedados na casa de um casal de amigos, a Amanda e o Thiago, naquela época ainda sem bebê. Lembrando daqueles dias me deu uma saudade imensa deles, daquele momento, do verão, do caldinho de lentilhas do Thiago, do caldo verde da Amanda, de tudo. Foram dez dias sensacionais e inesquecíveis. A Amanda nos ajudou a traçar nosso roteiro turístico. Conhecemos muitos, mas realmente muitos locais e sempre que possível, na companhia dos dois, que eram exemplos de disposição, apesar de estarem trabalhando. 

Primeiro de tudo, nos apaixonamos por Gaudí e suas obras realizadas a partir de suas inspirações na natureza. Ficamos boquiabertos com o Park Guell, La Pedrera, a Casa Batlò e a Sagrada Família, isto porque não fizemos o tour dentro dela. Aliás, nós tivemos muita sorte, porque naquelas semanas festejava-se o aniversário da Catalunya e conseguimos conhecer tudo sem pagar um euro. Foi uma maratona daquelas.

Me lembro que a Amanda nos telefonou e disse "venham para casa, pois estamos fazendo uns lanches para sairmos e conhecermos todos os museus de Barcelona". Voamos para casa, tomamos um banho e colocamos o pé na estrada. Aquela noite  foi ANIMAL. Nós quatro parecíamos malucos andando de uma parte à outra da cidade, com meios de transporte público. Andamos nove horas naquela noite. Quando conseguimos chegar na Pedrera, já era mais de meia noite e os funcionários diziam que ninguém mais entraria, apesar da longa fila. O Thiago mega esperançoso dizia "não vamos sair, eles vão abrir pois tem muita gente". Apesar da insistência dos funcionários absolutamente ninguém se movia e quarenta minutos depois, abriram as portas: lá fomos nós. 

Outros locais que visitamos foram: os Museus do Barçelona, do Mirò, do Picasso, a Catedral de Barcelona, Catedral del Mar, Bairro Gótico, Arco do Triunfo (básico),  Castelo de Montjuic, subimos no topo do Monumento do Cristoforo Colombo, passeamos pela Ramblas repleta de artistas de todos os tipos, entre outros.

Inclusive, não podia me esquecer, nos útimos dias em que estávamos lá chegou a Moniquet's, também de férias. Foram ótimos momentos com a ex-cachaceira (rss), que hoje em dia é mãe da Julinha e na época tinha acabado de reencontrar o Márcio, o amor da vida dela.  

Barcelona me surpreendeu de verdade, pois eu não esperava que fosse uma cidade tão atraente, que misturasse o tradicional com o moderno, a arquitetura antiga com uma fantástica costa marítima. Como tivemos tempo suficiente, pudemos conhecer um pedacinho da Costa Brava, de Blanes, de Sitges e da praia Mongat Nord. Ai que saudade daqueles dias, aliás foi a única vez em que conseguimos viajar mais do que três dias consecutivos aqui na Europa.

Se não fosse pela dura crise existente na Espanha e pelo fato de que além de não falarmos espanhol, não conhecemos a língua catalã, com certeza essa seria uma das cidades que escolheríamos para viver. Por muito tempo Barcelona foi minha cidade predileta entre aquelas que conheci, mas ano passado fui obrigada a incluir Paris entre as "top", porque apresentar uma magia inexplicável.

Aproveitamos ao máximo esses dias, só demos uma controlada nas noitadas, mas mesmo assim conhecemos o Hard Rock, o pub Bosque das Fadas, com vários personagens de cera. Show! 

Minha dica é a mesma de sempre: programe-se com antecedência, de modo que consiga encontrar um passagem aérea barata. Me lembro que pagamos um total € 25 no bilhete (ida e volta). Achei um pouco caras as passagens de trem para as praias da região, mas vale a pena, sem dúvida. 

Se você conseguir reservar o hotel alguns meses antes, pagará bem mais barato.

Costa Brava,nublado :(


Arte em Ramblas



Toureiros



Casa Batlò

As inspirações de Gaudí. Dentro da casa tem uma escada nesses moldes
As escadas da Casa Batlò

La Pedrera


Torre Abgar, de Jean Nouvel


Igreja Sagrada Família


Sagrada Família


Museu Miro - essa obra de arte tem história né Má e Thiago

Dentro do Museu de Miro

Sagrada Família


Na casa da Amanda, na caipora

Park Guell



Barceloneta


Barceloneta


Montjuic


Montjuic

Park Guell

Park Guell

Park Guell


Museu do Barcelona


Interagindo no Museu do Barça

Mongat Nord

Dica de Hospedagem 
Hotel Residencia Agora Barcelona. Indicado por um casal de amigos, trata-se de uma hospedagem com um custo de €25 por pessoa, incluso café da manhã. manhã. Confira: Hotel Residencia Agora Barcelona

03/01/2011

Weekend em Monte Carlo, Nice e Cannes



Monte Carlo

Eu tinha deixado de escrever sobre uma viagem muito bacana que fizemos em setembro de 2009 quando minha mãe veio nos visitar. Naquela época ainda não tínhamos comprado o carro, então alugamos um e fomos girar um pedacinho da Costa Azul (França). Nós saimos sábado bem cedo, fizemos uns lanches e colocamos o pé na estrada. O primeiro destino foi o Principado de Mônaco (Monte Carlo), local onde é realizado o Circuito de Monte Carlo e que faz divisa com a França. Em um dos menores países do mundo, onde a Ferrari é tão comum quanto o Corsa, as ruas são impecáveis e limpas. No meio de tanto requinte e riqueza,  é possível fazer longas caminhadas pela Marina e conhecer o Casino em que importantes personalidades batem cartão. Chegamos por volta das 10h30 e fomos passear. No tempo em que estivemos por ali presenciamos vários grupos que acompanhavam pessoas recém-casadas. Babamos no meio daquela enorme quantidade de navios luxuosos e babamos entre os carros e casas mais cobiçados. Aí quando cansamos de babar, colocamos o pé na estrada novamente e fomos curtir a natureza em Nice.
Minha mãe, eu e o Má em Monaco
Má bancando de gatinho em frente ao Casino
O povo casa
Marina de Monte Carlo
A parte da Costa Azul que conhecemos só nos deixou com muita água na boca. Chegamos em Nice aproximadamente umas 18 horas e fomos para o hotel que tínhamos reservado. De noite fomos passear pelo centro da cidade e procurar um lugar para jantar. Em Nice è muito complicado se locomover de carro, porque além de os franceses serem extremamente estressados no transito, os estacionamentos existentes estão quase sempre lotados. Para se ter idéia, depois de uma hora e meia tentando estacionar, deixamos o carro em lugar proibido. De lá fomos comer e passear. O centrinho é uma graça e o melhor de tudo, perto do mar. No dia seguinte acordamos e fomos para a praia. O mar é de um azul maravilhoso. Ai que vontade de voltar.

no centro da cidade
mar de Nice

Por fim, às 16 horas, fomos para Cannes e quando chegamos lá o sol já indo embora. Ficamos poucas horas por ali, mas eu adorei a cidade, gostei até mais do que de Nice. O mar é azul, a praia menor e com areia (ao invés de pedra) e a praia é muito aconchegante.

Cannes
Por do Sol em Cannes
Onde fazem o Festival de Filmes de Cannes

Esse é o tipo de passeio que pode ser feito tranquilamente em um final de semana de verão. Quem mora em Milão e viaja de carro demora cerca de duas horas e meia para chegar em Monte Carlo. Já quem virá de férias pode alugar um carro e os preços variam. Para se ter idéia, nós pesquisamos antes de alugar e pagamos somente €25 a diária.

Nosso carrinho de €25

É isso aí! Mais um lugar que vale muito a pena conhecer. Boa viagem!