27/06/2011

Dica de hospedagem em Barcelona

Para quem tem interesse em conhecer Barcelona e não sabe onde se hospedar, vai uma dica de um casal de amigos que passou um final de semana em Barça e que indica o Hotel Residencia Agora Barcelona. Segundo eles, trata-se de um daqueles locais que muitos viajantes procuram: bom, bonito e barato. Além de estar localizado ha somente 30 minutos do aeroporto, tem uma ótima infraestrutura e oferece um big café da manhã. O valor da diária é de €25 por pessoa, incluso o café da manhã.

Confira: Hotel Residencia Agora Barcelona

Se você também tem uma boa dica deixe a sua mensagem!

22/06/2011

Viagem à Toscana

Começamos o mês de junho fazendo aquilo que mais nos dá prazer: viajar! Desta vez o destino foi a bela Toscana. Até então conhecíamos somente as cidades de Pisa e Firenze. Já fazia um tempo que eu tinha vontade de conhecer a primavera na Toscana e ver todo aquele campo coberto de vegetação e flores. 
Alugamos um apartamento em um agriturismo - local que no Brasil conhecemos pelo nome de sítio ou casa de campo. A vantagem de se hospedar em um agriturismo é que além de estar mais próximo à natureza e em um ambiente familiar,  a pessoa pode aproveitar os serviços oferecidos no local como: refeições típicas da região, degustar os produtos produzidos no agriturismo, como verduras, frutas, carnes, ovos, etc. Um agriturismo pode vender o que produz, após ser submetido aos testes de qualidade, como ocorre com o vinho e azeite.


Vou contar um pouco dessa aventura: alugamos esse apartamento grande em Castagnetto Carducci, onde os proprietários eram atenciosos e muito simpáticos.
Fomos com um casal de amigos e decidimos curtir um pouco a praia, mas também conhecer as cidades de Volterra e San Gimignano, famosas por sua beleza e arquitetura medieval. 

Tínhamos idéia de ir para Siena, mas nao conseguimos pois o tempo foi curto.
Nossa viagem de carro acabou levando o dobro do tempo pois feriado prolongado é igual em todo mundo.  Ao chegar na Toscana a paisagem mudou completamente. Mesmo o tempo não sendo dos melhores, as nuvens não nos impediram de compreender a razão pelas quais todos se apaixonam pela Toscana. Ficamos boaquibertos perante tanta  natureza.
Castagnetto Carducci é uma cidadezinha bem pequena no meio do mato, mas fica somente a sete sete minutos do Mar e facilita a locomoção por cidades bem bonitas. A primeira coisa que fizemos ao colocarmos os pés na Toscana foi ir em busca de frutas locais, vendidas naquelas banquinhas no meio da estrada. Achei um pouco caras, mas o sabor era incomparável!
Como nosso apartamento tinha tinha lugar para fazer churrasco, pedimos à proprietária do agriturismo uns legumes fresquinhos, compramos umas carnes "fiorentinas" (muito conhecidas por aqui) e fizemos um bom churrasco à moda italiana.
Cicinho churrasqueiro oficial
No dia seguinte fomos para a praia de San Vincenzo e ficamos tomando sol o dia todo. Delíciaaaa! Novamente nos reativamos com caipora e churras, desta vez "alla brasiliana", ou seja farofa, salada, carne assada e cortada em tirinhas para comermos na hora. 

A diferença entre o churras feito por nossos amigos é que em primeiro lugar eles assaram pimentão e cebola, depois assaram todas as carnes e somente quando estava tudo pronto nos sentamos na mesa para jantar. De um certo modo, até assar tudo as carnes ficaram  mais frias, mas mesmo assim estava muito saborosa.

No terceiro dia fizemos uma maratona: café da manhã reforçado e pé na estrada para apreciar a beleza da Toscana: verde para todos os lados e imagens inusitadas, inesquecíveis! Nossos destinos foram: 

1) Volterra, uma cidade medieval com várias ruínas romanas, bem cuidada, famosa por seu centro histórico de origem etrusca. 
Volterra, cidade onde foi filmado Monlight (Lua Nova)
2) San Gimignano, que com sua arquitetura medieval é considerada Patrimonio Histórico da Humanidade pela Unesco. O local foi a casa dos etruscos no sèculo III AC. Aliás foi em San Gimingnano que provamos o melhor sorvete do mundo, vencedor de prêmios internacionais por 3 anos consecutivos.

Adicionar legenda
Sobre esses locais falarei nos pròximos posts. 

Neste dia havíamos agendado um jantar no agriturismo, onde eles cozinhariam especialidades gastronomicas da Toscana. Nos deram opções de escolha, mas eu nunca tinha ouvido falar na maioria dos pratos. Decidiram fazer sopa de fagiano (pássaro), carne de coelho, frango, salada, duas sobremesas, tudo acompanhado por vinhos e licores de produção própria. A primeira coisa que você precisa saber sobre comer na Toscana é que lá nada é muito dietético e leve. A comida ali te engorda na mesma proporção em que é deliciosa, mas se você está de férias se jogue! 

Aproveite para apreciar o céu repleto de estrelas coisa difícil de ver hoje em dia pelas cidades!



No dia do retorno para Milão nos programamos e fomos para Viareggio, local inclusive detestável. Elitizado, com mar feio e praias privadas.  Para ficar ali era necessário pagar. 
Quando tínhamos acabado de chegar na praia, dois seguranças nos pediram para nos retirarmos, avisando que tinha um espaço reservado para o "povão". Mesmo achando isso um absurdo caminhamos muito até chegar a uma faixa apertadíssima onde estavam espremidos todos os seres humanos considerados pela prefeitura local à margem da sociedade. Como descreveu muito bem minha amiga Aurora, o lugar parecia o espaço reservado para levar os cães para passear. Demos meia volta para comer algo e decidimos voltar para casa. Voltar a Viareggio "no more". 

Indico o Agriturismo Civitella in Val di Chiana, de uma amiga, que fica na Toscana e é muito aconchegante e localizado próximo a supermercado, restaurantes, centro comercial, museus, entre outros.  Uma grande vantagem é que de lá é fácil conhecer cidades como Arezzo, Siena, Firenze, Montepulciano e Cortona. Vale a pena conferir as fotos:

Civitella in Val di Chiana - Arezzo - Toscana
Média de preço é de € 800 por semana em um apartamento para 6 pessoas.
Contatar sig. 39 338 22 66 442
Tel: Francesco Stopani
Mais informações: http://www.homelidays.com/civitella-in-val-di-chiana/casa-villa369552it1.htm?FAff=DYN&AffHD=HD




 

21/06/2011

Trabalhando na Itália

Existem algumas experiências negativas sobre a vida na Itália que nem sempre menciono a não ser com pessoas muito próximas, mas desta vez decidi compartilhar uma dificuldade que encontro aqui, por acreditar que quem tem a intenção de morar na Itália, deve saber que nem tudo são flores.
O tema que abordo hoje é básico: TRABALHO! Contarei a minha história para ilustrar a realidade de muita gente que conheci por aqui, entre estrangeiros e italianos.
Quando cheguei em Milão fiz duas entrevistas e em um mês eu já estava trabalhando. Na verdade fui convocada, pela  empresa IVRI, para uma entrevista. Após ser aprovada me pediram para ir à outra entrevista na Siemens (cliente da IVRI), onde tive que superar alguns testes e ser entrevistada por cinco pessoas simultaneamente. Naquele momento admito que eu falava mal italiano e era insegura quanto à língua, por isso me preparei para a entrevista tentando memorizar o que dizer e não esquecer as conjungações verbais. O sacrifício durou cerca de 40 minutos e apesar de estar concorrendo com quatro italianas e uma Moldava, acabei conseguindo a vaga.

Situação 1:
Acontece que no meio do caminho me pediram o documento "idoneità alloggiativa". Esse documento mostra quantos metros quadrados tem a sua casa e quantas pessoas vivem lá. Infelizmente eu não podia fazer tal documento, pois era necessário apresentar no comune o contrato de aluguel registrado. O proprietário da minha residência não quis registrá-lo para não pagar impostos. Sem empregos fixos e contrato de trabalho indeterminado ninguém queria alugar casa para a gente, ou seja: a empresa me pedia aquele documento para me contratar e para isso eu precisava do contrato de aluguel registrado. Para ter um contrato de aluguel registrado eu precisava de um emprego com contrato indeterminado. Moral da história: Relaxa e Goza, como diz a Marta Suplici.

Em meio a essa burocracia ridícula eu parecia uma marionete, andava de um lado para o outro em busca de solucionar o problema.  O detalhe é que quando me telefonaram dizendo que eu tinha sido aprovada, expliquei que teria todos os documentos exceto a tal declaração e que como eu havia recebido uma proposta para trabalhar no IKEA, onde não exigiam o documento, eu precisava de uma resposta decisiva sobre a contratação,  caso contrário perderia os dois trabalhos. O chefe me garantiu que não teria problema e meia hora depois que liguei no IKEA dispensando a vaga, o RH da IVRI me telefonou dizendo que sem a declaração não me contrataria. Expliquei meu caso exaustivamente, mas em vão.

No dia seguinte fui até a empresa sem avisar e pedi para falar com o responsável que tinha me dado a palavra dele. Me lembro que sentamos numa imensa sala de reunião e ele disse "sinto muito, mas eles não querem aceitar". Eu virei uma fera e com meu italiano curumin olhei nos olhos daquele infeliz e disse: "ótimo, dispensei um trabalho porque você havia confirmado e agora? Você deu sua resposta ontem e agora o que eu faço? Quem pagas as contas?". Depois de quinze dias ele resolveu e eu fui contratada, mas não mais para a Siemens e sim para a Banca Bilbao, porque o Banco precisava de alguém com língua madre espanhol. Sim, você entendeu! O chefão me deu prioridade para trabalhar com aquele cliente porque no BRASIL fala-se ESPANHOL!

Situação 2:

Comecei a trabalhar e aos poucos melhorar o italiano. Me lembro que eu chegava em casa todos os dias com uma dor de cabeça terrível por tentar compreender o que eles diziam, principalmente porque a pronúncia é diferente nas diversas regiões da Itália. Eu aproveitava para estudar a cada segundo livre. Até que um dia me pediram para vir trabalhar na BBVA (grupo Bilbao), onde estou há dois anos. A IVRI renovou meu contrato duas vezes e na terceira, ao invés de fazer um contrato indeterminado, previsto pela lei, me obrigaram a assinar a carta de demissão, para ser contratada por outra empresa, a Excalibur, que me daria benefícios mais interessantes. A proposta parecia ser melhor, se não fosse pelo fato que após alguns meses decidiram não pagar meu salário. Por falar em salário, muita gente que eu conheço começa a trabalhar sem saber quanto receberá.

Recapitulando...a IVRI me dizia que embora continuasse gerenciado a BBVA, não era mais a responsável por meu pagamento. Já a Excalibur dizia que não fazia a menor idéia de quando me pagaria, outras vezes me falava que tinha feito o pagamento mas que eu deveria esperar, outras que o banco teve problemas ou que quem fazia os holerites estava de férias, enfim... Paciência acaba e a minha demorou para terminar.

Somente depois de dois meses e meio chamei o cliente e lhe informei que se não me pagassem naquela semana, eu iria embora. Naquele momento agendaram uma reunião onde a BBVA ameaçou cancelar o contrato. No dia seguinte a Excalibur me trouxe o cheque e fui obrigada a ouvir  a frase "antes tarde do que nunca". Depositei o cheque após quinze dias e voltou. Esperei mais quinze dias e finalmente após reapresentação, o dinheiro caiu. A IVRI informou à BBVA que a partir do mês seguinte eu passaria a trabalhar com outra empresa e que a Excalibur me pagaria os meus direitos. Pagou para você? Imagine para mim! 

Situação 3:
Em novembro fui contratada pela Project Services, sempre prestando serviços para a BBVA, com gerenciamento da IVRI. Em teoria eu deveria estar feliz com a mudança, mas ao ver meu novo contrato percebi que reduziram € 400 do meu salário mensal e tiraram o 14o salário. Quando conversei com a empresa, a resposta que obtive foi: "pelo menos agora você vai receber, pouco mas vai". Pois é, acabei assinando o contrato para não ficar sem trabalho e no mesmo momento comprei nossa passagem para o Brasil. Avisei a BBVA que em dois meses eu pediria demissão, explicando as razões e eles me disseram para eu não me preocupar, que resolveriam tal situação. Deixei claro que não tinha a menor intenção de voltar a trabalhar com IVRI e Cia.

Quando voltei do Brasil, a BBVA cancelou o contrato com a IVRI e me contratou por outra empresa, mediante a condições impostas pela BBVA. Moral da história:

1) as empresas raramente te contratam diretamente. Cultura do outsourcing de merda;
2) Nunca recebi meus direitos. Eles precisam me pagar € 4 mil;
3) Estou correndo há meses atrás de advogados particulares e do sindicato. O sindicato joga do lado da empresa, diz que eu tenho que esperar cinco meses e depois mandar uma carta registrada solicitando o pagamento. O Advogado privado quer um adiantamento de mais de mil euros e não me dá nem ao menos um percentual de vitória para a causa, ao contrário disso, diz que se não conseguir provar que a IVRI está por traz de toda essa palhaçada, serei eu que pagarei o advogado deles;
4) Neste quesito estamos abandonados, sem auxílio, à deriva. A impressão que tenho é que a lei está do lado dos corruptos. Não encontrei nenhum advogado disposto a ajudar e provavelmente eles sairão ilesos e eu sem dinheiro;
6) Sabe qual é o maior problema do seu problema? É que ninguém tem nada a ver com isso!

Essa foi minha experiência com trabalho por aqui. Talvez eu não tenha tido sorte, mas posso dizer que conheci muita gente em situação parecida. Essa é uma das coisas que me faz sentir vontade de voltar ao Brasil, país onde além de ter minha profissão consigo lutar por meus direitos com mais facilidade.

08/06/2011

Eccomi: saudade again

Passo por aqui com algumas novidades, mas contarei da próxima vez, pois agora estou com preguiça.

Fazia tempo que eu não me sentia com aquela saudade infinita do Brasil. Hoje acordei me sentindo como se fosse um dia de inverno: para baixo, chateada, me sentindo estrangeira demais nessas terras italianas. Sei que esse pensamento não me leva a nada, a não ser a me deixar mais chateada, mas enfim...

Escrevo, acreditando que não deveria descrever essa sensação, com angústia e garganta travada e sem entender ao menos qual a razão. Só sei que hoje, mais do que nos outros dias, me sinto imigrante demais por aqui e não é porque alguém me excluiu de algo, mas simplesmente porque percebo que às vezes me canso de aperfeiçoar a língua italiana, de tentar assimilar a cultura, as diferenças entre os países, até de escrever, de planejar e ter que esperar tanto, de lidar com imprevistos frequentes e principalmente, de muitas vezes não saber o que fazer em diversas situações. 

Hoje eu só tenho a agradecer por tudo o que tenho vivido, por termos nossas famílias magnifícas, nossa casinha, por podermos viajar, por ver o quanto crescemos aqui mesmo tendo começado do zero. Só tenho a agradecer por meu husband ser o companheiro ideal e por ser o homem que eu sempre quis, por sermos realizados e por lutarmos juntos. Só tenho a agradecer por termos trabalhos que nos possibilita viver bem e aproveitar todos os momentos, fazendo o que gostamos. Agradeço por termos encontrado pessoas tão importantes, que se tornaram nossos amigos fiéis. Pois é, e mesmo com tanto para agradecer, estou escrevendo com o coração bem apertado.

Sei lá do que sinto saudade! Acho que além de estar com nossas famílias e amigos, sinto saudade da falsa segurança que eu tinha no Brasil, de ser prestigiada por meu trabalho, de saber que era capaz de me superar e de perceber que as possibilidades eram infinitas. Aqui, ao mesmo tempo que as oportunidades de crescimento pessoal são grandes, em algum momento você se sente pequenininho e dependente demais de fatores externos.

Dizem que com o passar do tempo você vai se sentindo estrangeiro também no Brasil. De certa forma já percebi isso: hoje em dia sou contra muitas opiniões que antigamente eu compartilhava com meus amigos em SP. Aliás, opiniões  que para mim eram verdades inquestionáveis.

Temos ainda muita estrada para girar por aqui e pretendemos gozar cada instante até que nossa etapa européia acabe.  No entanto, por alguma razão parece que em São Paulo - apesar dos assaltos, da violência, do transito frenético, do trabalho imensurável e da correria - me sinto mais segura no quesito FUTURO. É como se todos esses anos tivessem sido uma aventura e não a vida real. A questão é que não consigo mais me enxegar na velha vida real, simplesmente porque não a vejo mais como algo positivo. Muito complexo! Me perguntam quando voltaremos ao Brasil, quando teremos filhos, quando...quando... quando...

A verdade é que eu não sei a resposta de nada. Você não vai entender, eu também não entendo.

Amanhã será outro dia!