08/06/2011

Eccomi: saudade again

Passo por aqui com algumas novidades, mas contarei da próxima vez, pois agora estou com preguiça.

Fazia tempo que eu não me sentia com aquela saudade infinita do Brasil. Hoje acordei me sentindo como se fosse um dia de inverno: para baixo, chateada, me sentindo estrangeira demais nessas terras italianas. Sei que esse pensamento não me leva a nada, a não ser a me deixar mais chateada, mas enfim...

Escrevo, acreditando que não deveria descrever essa sensação, com angústia e garganta travada e sem entender ao menos qual a razão. Só sei que hoje, mais do que nos outros dias, me sinto imigrante demais por aqui e não é porque alguém me excluiu de algo, mas simplesmente porque percebo que às vezes me canso de aperfeiçoar a língua italiana, de tentar assimilar a cultura, as diferenças entre os países, até de escrever, de planejar e ter que esperar tanto, de lidar com imprevistos frequentes e principalmente, de muitas vezes não saber o que fazer em diversas situações. 

Hoje eu só tenho a agradecer por tudo o que tenho vivido, por termos nossas famílias magnifícas, nossa casinha, por podermos viajar, por ver o quanto crescemos aqui mesmo tendo começado do zero. Só tenho a agradecer por meu husband ser o companheiro ideal e por ser o homem que eu sempre quis, por sermos realizados e por lutarmos juntos. Só tenho a agradecer por termos trabalhos que nos possibilita viver bem e aproveitar todos os momentos, fazendo o que gostamos. Agradeço por termos encontrado pessoas tão importantes, que se tornaram nossos amigos fiéis. Pois é, e mesmo com tanto para agradecer, estou escrevendo com o coração bem apertado.

Sei lá do que sinto saudade! Acho que além de estar com nossas famílias e amigos, sinto saudade da falsa segurança que eu tinha no Brasil, de ser prestigiada por meu trabalho, de saber que era capaz de me superar e de perceber que as possibilidades eram infinitas. Aqui, ao mesmo tempo que as oportunidades de crescimento pessoal são grandes, em algum momento você se sente pequenininho e dependente demais de fatores externos.

Dizem que com o passar do tempo você vai se sentindo estrangeiro também no Brasil. De certa forma já percebi isso: hoje em dia sou contra muitas opiniões que antigamente eu compartilhava com meus amigos em SP. Aliás, opiniões  que para mim eram verdades inquestionáveis.

Temos ainda muita estrada para girar por aqui e pretendemos gozar cada instante até que nossa etapa européia acabe.  No entanto, por alguma razão parece que em São Paulo - apesar dos assaltos, da violência, do transito frenético, do trabalho imensurável e da correria - me sinto mais segura no quesito FUTURO. É como se todos esses anos tivessem sido uma aventura e não a vida real. A questão é que não consigo mais me enxegar na velha vida real, simplesmente porque não a vejo mais como algo positivo. Muito complexo! Me perguntam quando voltaremos ao Brasil, quando teremos filhos, quando...quando... quando...

A verdade é que eu não sei a resposta de nada. Você não vai entender, eu também não entendo.

Amanhã será outro dia!

3 comentários:

Juliana Rossa disse...

Oi Érica!
Te entendo perfeitamente!
Infelizmente, não existem receitas.
O tempo em que vivi aí, foi muito bom, aprendi muito.
É claro que sinto falta de muitas coisas (lindas páisagens, andar de bicicleta,...), mas estou feliz por ter voltado para casa.
Estou trabalhando na área, e isso me conforta e faz com que as coisas ruins do Brasil fiquem menos aparentes (violência, preços altos,...).
Tenho certeza que amanhã você estará melhor.
Beijos!

Erica Moreira disse...

Oi Juliana,

O mundo perfeito não existe, infelizmente. Eu realmente gosto muito da vida que tenho aqui e me esforço ao máximo para me manter na profissão, só que quando se vive no exterior acaba sendo difícil.

É complicado assimilar outra cultura e aceitar que a realidade profissional da Itália é diferente da nossa, diferente inclusive para quem nasceu aqui. Quando estamos aí temos os pilares e as bases que nos direcionam para alcançar um objetivo, ao contrário de quando se vive no exterior. Digamos que no final sempre encontramos o caminho, mas precisamos sempre nos esforçar bem mais já que os costumes e as bases são diferentes.
Prós e contras.

Allan Robert P. J. disse...

Só quem nunca sentiu saudades não entende.