27/07/2011

Por que no Brasil é necessário "ganhar" muito


Você sabia que os Europeus, em geral, mas principalmente os italianos acreditam que o Brasil é um paraíso porque tudo "custa pouco". Sim, na cabeça da maioria das pessoas que eu conheço, nós brasileiros trabalhamos muito pouco, ficamos o ano todo de biquini tomando sol na praia, sambando e ainda assim vivemos maravilhosamente sem  estresse. Quando eu explico como o Brasil realmente funciona e digo que eles têm uma imagem errada do Brasil e que nosso país está se desenvolvendo graças à mudança de comportamento da população, dedicada a estudar, fazer faculdade, cursos de línguas, pós-graduação, entre outras especializações, sempre acabo me deparando com uma expressão de "Oh, veramente?".

Comecei a seguir alguns blogs de italianos e percebi que muitos sonham em viver no Brasil, seja como aposentado, empregado comum ou investidor. A questão é que muitos acham que no Brasil não é necessário ter muito dinheiro para viver bem. Acho que muitos deles ficaram com a imagem do antigo Brasil, do país que já foi conhecido como a República das Bananas, mas que a cada dia cresce e ganha espaço como meta turística e objetivo de vida dos estrangeiros.

Quando falo sobre o preço de um carro zero km, por exemplo, eles ficam boquiabertos e não acreditam. Quando menciono que os brasucas vêm para a Europa fazer turismo e enchem as malas com roupas e perfumes de marca compradas na Europa, pois mesmo fazendo a conversão do real para euro, acaba saindo mais barato, eles também não acreditam. E você que está aí no Brasil também não vai acreditar nas imensa diferença de preços de produtos idênticos vendidos no Brasil e na Itália. Elenco abaixo alguns exemplos que ilustram essa realidade. Peço para que você não faça a conversão da moeda, mas sim pense nos dois cenários e veja como a vida por aí custa caro. Das duas uma: ou no Brasil dinheiro nasce em árvore ou alguma coisa está muito errada!

Preços
Brasil X Itália

1) Compra do mês (básica) em São Paulo para duas pessoas no ano de 2006 = R$ 370. Hoje quanto custa?
    Compra do mês em Milão (com queijos, frutas, carnes e uma variedade de alimentos) = € 200 (É como se no Brasil você pagasse R$ 200, já que ganha em real). Quando estive no Brasil esse valor não foi suficiente nem para comprar cervejas em latinha no mercado.

2) Carro popular no Brasil (Fiat Punto Zero Km) = R$ 40 mil
    Carro popular na Itália (Fiat Punto Zero Km) = € 15 mil

3) Máquina fotográfica profissional no Brasil = R$ 5000
    A mesma máquina fotográfica na Itália = € 800,00

4) Lente objetiva para a camera fotográfica no Brasil = R$ 1889
    A mesma lente objetiva na Itália = € 280

5) Celular Nokia E72 no Brasil = R$ 1365,15
     Celular Nokia E72 na Itália = € 320


25/07/2011

Idas e vindas

Quanta gente já vi chegando e partindo. Pessoas com quem convivemos e construímos uma relação de amizade, respeito e carinho. Pessoas especiais que fizeram parte de nossas vidas, que nos motivaram e auxiliaram com suas experiências. Nos últimos dois anos muitas coisas aconteceram, conquistamos muita coisa boa e conhecemos pessoas inesquecíveis, que acabaram seguindo caminhos diferentes. Não sei como ainda não me acostumei com esse movimento frenético, essas idas e vindas, afinal de contas o ciclo sempre foi e sempre será este.

Hoje estou chateada porque mais uma pessoa que gosto muito, uma grande amiga está voltando ao Brasil. Estou triste porque sei que embora o sentimento de amizade continuará, a rotina de cada uma aos poucos acabará nos distanciando. Por outro lado, estou muito contente por ela, pois tenho certeza de que será muito feliz onde quer que ela esteja.

In bocca al lupo Sandra! Que seus sonhos se tornem realidade!

22/07/2011

Personagens Nazistas: Recordação e Destruição

Durante esta semana li algumas notícias sobre o período do nazismo. Ainda nos dias de hoje o assunto causa polêmica entre jovens e adultos e ao contrário do que nós imaginamos no Brasil, não são poucos os que seguem esse tipo de ideologia. Se para as pessoas normais o Holocausto causa vergonha, digamos que existem muitos neonazistas espalhados por aí, pregando a supremacia como algo positivo. Tenho amigos que estudaram em universidades no norte da Itália, que contam que é normal ver nas paredes das faculdades pichações que são puramente apologia ao fascismo, nazismo, racismo e outra TRISTE série de "ismo".
  
Enfim, não pretendo divagar sobre o assunto, até porque minha opinião a respeito é bem extrema. Porém, acho que vale a pena compartilhar duas notícias que eu li no Corriere della Sera. Apesar de serem fatos distintos e sem ligação, contextualmente os considero bem contraditórios. Explico melhor: uma notícia fala sobre a destruição da tumba de um nazista, que por anos atraiu peregrinos que o adorava. Já a segunda enfatiza o leilão do diário de um dirigente nazista, que foi vendido por 300 mil doláres.  É como se a Alemanha quisesse acabar com terríveis recordações e não alimentar mais a ridícula idéia de supremacia, que ainda impera em diversas partes do mundo. Ao mesmo tempo, a questão da venda do diário, com anotações  e o cotidiano de um hitlerista acaba mantendo a história sempre viva. 



Vamos aos fatos: a destruição da tumba e exumação dos restos de Rudolf Hess, o braço direito de Hitler, foi resultado da decisão da igreja Anglicana, proprietária do terreno onde estavam seus restos. Acontece que todos os anos, no dia 17 de agosto, peregrinos europeus neonazistas visitavam o cimitério de Wunsiedel em Baviera (Alemanha). Tal fato incomodava, obviamente, muitos antifascistas que acabavam fazendo protestos. Em 2004 foram presas 110 pessoas que participavam de uma peregrinação juntamente com três mil indivíduos. Dos presos, 74 possuíam símbolos nazistas e armas. Este ano, a  igreja finalmente colocou um ponto final a este cenário, que acabava mantendo acesas determinadas ideologias. 
  
A notícia sobre a venda do diário, publicada no caderno Cultura do Corriere della Sera, falava sobre desenhos de Josef Mengele, o "anjo da morte de Auschwitz". Com essas poucas palavras já dá para imaginar o que vem pela frente. As informações diziam que foi colocado em leilão, em Connecticut (EUA), um diário com 4 mil páginas do médico nazista, que utilizava os prisioneiros como cobaia nos campos de concentração. Morto no Brasil, em 1979, com 67 anos, foi considerado  uma das pessoas mais terríveis que atuaram no campo de extermínio. Em poucas palavras, era ele quem decidia o destino dos prisioneiros, ou seja, se iriam trabalhar ou se iriam para a camera de gás. Ao mesmo tempo fazia os mais cruéis e bizarros experimentos com hebreus, ciganos, portadores de deficiências e até crianças.

Fazem parte deste diário várias cartas, poesias, anotações e desenhos feitos por Mengele entre 1960 e 1975. Segundo a matéria, o diário explica como ele fugiu da Alemanha para a América do Sul, e consequentemente pode exclarecer que tipo de cobertura política ele tinha nesses países. A casa de leilão Alexander Autographs informou que o diário foi comprado por um colecionista hebreu ortodoxo.
Eu me pergunto se é justo e correto que este documento fique em mãos de somente uma pessoa (propriedade privada), já que trata de assuntos relacionados a uma história que envolve o mundo inteiro. Por que tal documento não vai diretamente a um órgão público, que possibilite o conhecimento e compartilhamento da verdade para todos, que permita aos estudiosos nos ajudar a compreender o que e por que tantas coisas aconteceram. 

 

  
Leia as notícias na íntegra: 

14/07/2011

Desabafo

Eu não gosto muito de desabafar pelo blog, porque acho que as pessoas não são obrigadas a ler chatices, só que estou chateada e para não encher o saco de ninguém, vou escrever aqui mesmo. Desde que nos mudamos para Milão tive a impressão que muitas pessoas esqueceram da gente, inclusive alguns amigos próximos simplesmente passaram a não ter nem sequer tempo de responder e-mails. No início eu fiquei arrasada  com o fato de que eu perdia um tempão escrevendo porque estava sentindo saudades e às vezes recebia uma resposta assim: "comigo está tudo bem, mas você com certeza tem mais novidades do que eu".


Eu chorei muito com a atitude de algumas pessoas, principalmente daquelas com quem mantínhamos contato diário. Eu entendo que todo mundo tenha a sua rotina e uma vida corrida, mas não consigo aceitar que simplesmente não possam perder dois minutos para te escrever uma mensagem. Entendo que o fato de nossas vidas aqui serem bem diferentes da que tínhamos no Brasil faz com que alguns assuntos deixem de ser interessantes, no entanto não consigo fingir que não me chateio quando percebo que os diálogos com essas pessoas acabam sendo monossilábicos. Quando alguém me pergunta como estamos, eu não me preocupo em perder uns minutinhos do meu dia para responder, só que quando faço a mesma pergunta o que ouço é: "está tudo bem". Fim de conversa! FIM DE CONVERSA!

É claro que estamos aqui por escolha nossa e já ouvi isso muitas vezes de pessoas diferentes, só que isso não significa que não precisamos de atenção dos amigos e familiares, não significa que nossa vida na Europa é um mar de rosas. Só quem já morou no exterior sabe como é a rotina, a sensação de insegurança por estar longe do país, por não saber "tirar de letra" algumas situações, uma imensidão de sentimentos como saudade, carência, vontade de estar perto, dúvidas sobre o futuro, impotência por não conseguir auxiliar nos problemas dos outros, etc. É sim uma escolha nossa e sem dúvida ninguém tem responsabilidade com a gente, mas as vezes a ausência de pessoas que sempre foram próximas faz com que você não se sinta querido, com que pareça que não existe ninguém que se preocupa com você.  As vezes sinto que eu e o Marcelo estamos completamente sozinhos por aqui e que ninguém está nem aí para a gente, pois afinal foi uma escolha nossa. 

Pode ser egoísta da minha parte pensar assim, mas às vezes é legal poder participar da vida daqueles que consideramos, às vezes é bacana perceber que nós também somos importantes, mesmo que estejamos distantes pelo simples fato de que nossos sonhos não são como o da maioria das pessoas.

Todos temos nossas inseguranças, medos e dúvidas. Todos em algum momento se deprimem, têm problemas, mas o que me chateia é que parece que cada um vive a sua vida e só. Sim, eu sinto falta de saber das novidades dos meus amigos e das nossas famílias, pois isso é um modo que temos de ficarmos felizes com as conquistas deles, só que sinto que algumas dessas pessoas que sempre considerei não estão nem aí. Não tem como não ficar triste.  Não quero ofender ninguém com minhas palavras, mas esse é um desabafo de algo que vem me incomodando há algum tempo.

11/07/2011

Faria tudo igual!

Neste domingo ficamos em casa com uma casal de amigos, Renato e Paula, quando tivemos a idéia de rever o vídeo de nosso casamento. Que saudades daquele momento. Nos estressamos muito para preparar a festa e a cerimonia, mas no final das contas tudo foi lindo. Nunca nos divertimos tanto em uma festa como nos divertimos em nosso casamento. Estava perfeito e o Má estava elegantíssimo, emocionado, lindo! Ali começou realmente uma grande história. Quantas coisas mudaram em nossas vidas depois daquele dia: uns casaram, outros se separaram, outros tiveram bebê, uns mudaram de emprego, outros ficaram no mesmo e nós mudamos de país, mudamos completamente nossas vidas.


Amadurecemos muito como casal, tivemos que lutar juntos para conseguirmos atingir os objetivos e enfrentar as dificuldades, aprender outra língua, conquistar nosso espaço em um país estranho. Choramos muito, mas sorrimos mais ainda. Nos unimos como nunca e descobrimos o que verdadeiramente significa companheirismo. Deixamos para trás muita coisa que aparentemente nos dava segurança e começamos do zero em busca da realização de um sonho. Garanto para você que não foi fácil, mas quem disse que seria fácil. Ontem me perguntaram se mesmo sabendo dos imensos obstáculos que viriam pela frente, eu faria tudo igual, se eu me casaria, faria festa, deixaria meu trabalho, mudaria de país, etc.

Sem dúvida o faria novamente! Me casaria com o mesmo homem, enlouqueceria em nossa festa, contrataria os mesmos detalhes, pediria demissão do meu trabalho, entregaria minha casa e viria para a Itália com meu marido, porque me considero uma mulher muito feliz. Que delícia é poder olhar para trás e saber que fizemos a coisa certa!





o dia mais feliz de nossas vidas
 
Florianópolis: lua de mel


Paris


Veneza


05/07/2011

Novos cidadãos italianos em 2010


O Ministério do Interno italiano publicou dados referentes à concessão da cidadania italiana aos imigrantes durante o ano de 2010. Segundo o Ministério, no ano passado foram concluídas positivamente 40.223 práticas de cidadania, seja por residência que por casamento.

Entre as nacionalidades que mais se destacaram por ter o direito ao novo passaporte estão: Marrocos (6.952), Albania (5.628), Romania (2.929), Peru (1.377), Brasil (1.313), Tunisia (1.215), Ucrania (1.033), Polonia (974), Egito (912), Russia (821) e outros (17.029).

O total de novos italianos por matrimonio chega a 18.593 e neste quesito o Brasil também se destaca em terceiro lugar com 1.210 práticas finalizadas, perdendo somente para o Marrocos (2.135) e Romania (1.570). Em quarto lugar surge a Albania (1.166), seguida pela Ucrania (984), Cuba (811), Argentina (783), Russia (745), Moldava (683), Polonia (657) e tantos outros países.

Os dados apontaram que entre os brasileiros são as mulheres que mais conquistam a cidadania por matrimonio. Veja abaixo:

Mulheres brasileiras /faixa etária / práticas concluídas

de 20 a 29: 275
de 30 a 39: 447
mais de 40: 302

Homens brasileiros /faixa etária

de 20 a 29: 37
de 30 a 39: 70
mais de 40: 79

Enquanto em 2010 a quantidade de mulheres que se tornaram cidadãs, por casamento, foi de 1.024, a de homens brasileiros que ganhou a cidadania foi de somente 186. É uma diferença razoável que mostra que as brasileiras conquistam o coração dos italianos com muito mais facilidade do que os brasileiros conquistam as italianas. No ponto de vista de um amigo italiano isso acontece porque as mulheres italianas são chatas e independentes demais, o que faz com o brasileiro também não se interesse por elas.

Já quando o tema é cidadania por tempo de residência o Brasil praticamente nem aparece. Quem figura no topo é o Marrocos (4.817), a Albania (4.462), a Romania (1.359), a Tunisia (842), o Peru (788), o Egito (571), a India (553), a Macedonia (537), a Servia (534), Bangladesh (464), etc.

A Província que mais concedeu a cidadania italiana durante o ano de 2010 foi Milão com 3109, sendo 1.585 por casamento e 1.524 por tempo de residência. Os menores números vieram de Sondrio, que concluiu somente 114 práticas, ou seja 55 por casamento e 59 por residência.

Observando os gráficos noto que a maioria dos novos cidadãos italianos são os marroquinos, o que sinceramente me deixa boquiaeberta visto que em geral não são bem vistos e bem vindos pela população em geral. Sim, isto implica um pouco de preconceito do ponto de vista religioso, mas principalmente no que se refere ao comportamento do sexo masculino. Mas isso não vem ao caso, o que chama a atenção é a grande fatia de italianos casados com marroquinas e que consequentemente possibilita a aquisição do passaporte italiano. Vejam os dados abaixo:

Marrocos

Cidadania por casamento
Mulheres: 1.746
Homens: 389

Cidadania por Residência
Mulheres: 1.436
Homens: 3.381

Para finalizar, vale dizer que a maior parte dos novos cidadãos está classificada como trabalhador operário, com pouco grau de instrução.

Leia Mais - Ministério do Interno

04/07/2011

Prioridades por fases

Eu tenho reclamado um pouco de mim mesma porque não estou mais conseguindo encontrar tempo e vontade para as minhas leituras e estudos. Acabo muitas vezes me sentindo culpada por isso, mas na verdade este ano mudamos um pouquinho a nossa rotina e por isso quando sobra um tempinho a última coisa em que penso é em estudar. Eu sei que isso é uma fase, principalmente porque após um longo inverno o mais importante é aproveitar o calor. Nós estamos seguindo nossa meta de andar de bicicleta três vezes por semana (no mínimo) e apesar de termos dado uma "escorregada" na alimentação, sinto que aos poucos temos progredido.

Além disso, este ano estamos conseguindo nos programar para fazer nossas viagens. A primeira e mais importante nós concluímos no início de 2011: visitar nossa família após quase três anos sem pisar no Brasil. Essa viagem nos ajudou a recarregar as energias e colocar a cabeça em ordem, em diversos aspectos. 


Depois de voltarmos ao nosso dia-a-dia, nos programamos para conhecer alguns lugares dos sonhos. A primeira viagem que fizemos foi para o interior da Toscana, local que nos deixou boquiabertos. Em seguida nos programamos para nossas férias de verão e desta vez estou falando da Grécia. As ilhas gregas sempre foram nosso ideal de consumo e a gente não fazia idéia de quando conseguiria conhecê-las. Até que encontramos a ocasião e o lugar perfeito para fazermos a nossa segunda lua de mel. Já compramos nossa passagem e estamos em busca de hotel ou apartamento no meio da ilha de Creta.
Outra viagem que fechamos por um preço baixíssimo foi para Praga. Apesar de não ser muito economica, resolvi comemorar meu aniversário por lá, ou seja comprando com muita antecedência acabamos encontrando uma promoção irrecusável: € 50 ida e volta.  

Viajar é um vício! Se eu pudesse iria todos os finais de semana para um lugar diferente, mas aí teríamos que ganhar na loteria. Aliás acho que vou jogar...rsrs