14/07/2011

Desabafo

Eu não gosto muito de desabafar pelo blog, porque acho que as pessoas não são obrigadas a ler chatices, só que estou chateada e para não encher o saco de ninguém, vou escrever aqui mesmo. Desde que nos mudamos para Milão tive a impressão que muitas pessoas esqueceram da gente, inclusive alguns amigos próximos simplesmente passaram a não ter nem sequer tempo de responder e-mails. No início eu fiquei arrasada  com o fato de que eu perdia um tempão escrevendo porque estava sentindo saudades e às vezes recebia uma resposta assim: "comigo está tudo bem, mas você com certeza tem mais novidades do que eu".


Eu chorei muito com a atitude de algumas pessoas, principalmente daquelas com quem mantínhamos contato diário. Eu entendo que todo mundo tenha a sua rotina e uma vida corrida, mas não consigo aceitar que simplesmente não possam perder dois minutos para te escrever uma mensagem. Entendo que o fato de nossas vidas aqui serem bem diferentes da que tínhamos no Brasil faz com que alguns assuntos deixem de ser interessantes, no entanto não consigo fingir que não me chateio quando percebo que os diálogos com essas pessoas acabam sendo monossilábicos. Quando alguém me pergunta como estamos, eu não me preocupo em perder uns minutinhos do meu dia para responder, só que quando faço a mesma pergunta o que ouço é: "está tudo bem". Fim de conversa! FIM DE CONVERSA!

É claro que estamos aqui por escolha nossa e já ouvi isso muitas vezes de pessoas diferentes, só que isso não significa que não precisamos de atenção dos amigos e familiares, não significa que nossa vida na Europa é um mar de rosas. Só quem já morou no exterior sabe como é a rotina, a sensação de insegurança por estar longe do país, por não saber "tirar de letra" algumas situações, uma imensidão de sentimentos como saudade, carência, vontade de estar perto, dúvidas sobre o futuro, impotência por não conseguir auxiliar nos problemas dos outros, etc. É sim uma escolha nossa e sem dúvida ninguém tem responsabilidade com a gente, mas as vezes a ausência de pessoas que sempre foram próximas faz com que você não se sinta querido, com que pareça que não existe ninguém que se preocupa com você.  As vezes sinto que eu e o Marcelo estamos completamente sozinhos por aqui e que ninguém está nem aí para a gente, pois afinal foi uma escolha nossa. 

Pode ser egoísta da minha parte pensar assim, mas às vezes é legal poder participar da vida daqueles que consideramos, às vezes é bacana perceber que nós também somos importantes, mesmo que estejamos distantes pelo simples fato de que nossos sonhos não são como o da maioria das pessoas.

Todos temos nossas inseguranças, medos e dúvidas. Todos em algum momento se deprimem, têm problemas, mas o que me chateia é que parece que cada um vive a sua vida e só. Sim, eu sinto falta de saber das novidades dos meus amigos e das nossas famílias, pois isso é um modo que temos de ficarmos felizes com as conquistas deles, só que sinto que algumas dessas pessoas que sempre considerei não estão nem aí. Não tem como não ficar triste.  Não quero ofender ninguém com minhas palavras, mas esse é um desabafo de algo que vem me incomodando há algum tempo.

13 comentários:

Anna Karine disse...

Nao te preocupa que nao tem nada de pessoal nisso. Acontece com quase todo mundo que vai morar fora. Nao sei dar uma explicaçao psicologica mas seu caso nao é isolado. Aconteceu a mesma coisa comigo e com um monte de gente. Eu me relacionava muito bem com as pessoas do meu trabalho no Brasil. Quando vim pra ca, mandava quase diariamente um email contando o sobre o novo pais. No começo, até me respondiam mas depois era um silencio total. Nao escreviam mais e quando faziam eram so duas linhas desinteressadas e basta. Com a familia(tios e primos) era a mesma coisa. Eu ligava sempre nas datas importante: Natal, Ano Novo, aniversario, dia das maes etc No meu niver, ninguem ligava.So meus pais mesmo. No Natal,era igual. Fui deixando tambem de dar noticias e nos distanciamos muito. Procuro sempre reunir os amigos quando volto por la mas nao é a mesma coisa... Eu mudei, eles mudaram,a situaçao mudou. Mas ainda continua o carinho que tenho por todos.

Glenda Di Muro disse...

Eu sinto a mesma coisa, mas não consigo achar que isso seja "normal". Eu fico chateada sim com o descaso de muitas pessoas que eu considerava grandes amigos... essa história de que está sempre na correria, sem tempo nem para escrever duas linhas, não cola. A solução ainda não encontrei, mas que eles vão levar uma bronca qdo me verem pessoalmente isso vão.

Carla disse...

é assim mesmo, e não deveria ser normal, mas acontece! e é realmente triste, frustrante.... mas fique bem, e se precisar de uma amiga, tô pertinho! rs :)

Juliana Rossa disse...

Érica, te entendo muito bem! Quando se está longe, queremos também estar perto.
Muitas vezes, quando eu morava aí, para ficar mais perto dos amigos, eu deixava o msn sempre aberto. Parecia que os bonequinhos dos meus contatos me faziam companhia. :)
Tive sorte de ter sempre amigos em contato comigo, me dando atenção.
Quem sabe vc não se abre diretamente com eles? Acho que eles entenderiam.
Beijos e fica bem!

Valéria disse...

Oi Erica!

É mesmo muito triste este distanciamento. Mostra acho eu o tão efêmero são os relacionamentos que não suportam grandes distancias e muito tempo. Mas sabe o que parece também que as pessoas não aceitam que quizemos mais e fomos em busca de coisas melhores, ou que melhoramos realmente. Não sei se te digo para ir em frente e deixar que o tempo resolva, pois isso que você está sentindo vem de dentro e só de dentro de você sairá a melhor explicação e solução para isso.

Grande beijo!

Flávia - Compartilhando Idéias... disse...

Olá Erica, vim retribuir a sua simpática e carinhosa visita no meu blog e acabei conhecendo este seu blog lindo e muito interessante!

Olha só, se eu fosse você não esquentaria muito com isso não. Eu me baseio por mim. Tenho amigas que adoooooooooooooro de paixão, mas não tenho a mínima paciência para mandar ou responder e-mails, talvez por ter que dar conta do blog, vai saber.....

Não curto MSN, demoro um mês para responder a um e-mail que não seja profissional e quando respondo, escrevo pouco, mas isso não tem nada a ver com afeto, pelo menos no meu caso.

Prefiro pegar o telefone e falar diretamente com a pessoa. Já o meu marido adoro MSN e Skype!!! Af...

Liga não querida, cada um tem um jeito e muitas vezes não significa que a amizade não seja legal ou forte, é apenas o jeito das pessoas.

Mas eu te entendo.

Bjs, adorei seu blog.

Allan Robert P. J. disse...

Érica,
A realidade é que quando mudamos de país muda o nosso dia a dia, nossos interesses e objetivos. Quem ficou continua vendo a vida da mesma perspectiva (mesmos problemas, oportunidades,limites...) e não tem como enxergar as novidades que você vê. Muita coisa que você escreve - mesmo em um e-mail - só faz sentido pra quem mora fora ("...do que ela está reclamando? Vive na Europa das maravilhas..."). Os interesses são diferentes e você nem sabe o que aconteceu na novela das oito. Como pode esperar que seus amigos se interessem pelas condições de trabalho de quem ganha em euro? ("...em euro, cara! Ganha em euro! Tá reclamndo do quê?").

Mas o descaso não é algo que deva ser encarado com normalidade. Experimente fazer perguntas específicas: "soube que a casa da tia Maricotinha foi pintada de verde. É verdade?" Ou, então: "A Marcela continua apaixonada pelo Rogério?" [É claro que você sabe que eles terminaram faz tempo] As pessoas vão achar estranho você achar que a casa da tia Maricotinha teria sido pintada (ainda mais de verde, que ela detesta), vão pensar que você esqueceu da briga feia entre as famílias da Marcela e do Rogério e vão responder seus e-mails com mais atenção. Pode ser que enquanto respondem aos seus e-mails malucos acabem se lembrando de te contar as verdadeiras novidades...

Para evitar ter que responder as mesmas perguntas, comecei a escrever as "Cartas da Itália" e enviá-las semanalmente, como uma circular, aos amigos e parentes que me perguntavam como era a vida aqui. Comecei o meu blog quando pararam de responder aos meus e-mails. Ou seja, meus posts são isso: cartas que escrevo aos amigos e parentes. A diferença é que através do blog tenho muito mais amigos hoje. E alguns até respondem. :)

jana disse...

Oi, Érica!!
Obrigada pela visita, vc será sempre bem-vinda!!
Quanto ao seu post, te entendo completamente.
Mas acontece com muita gente. Eu também tenho preguiça de responder a emails, mesmo que morrendo de saudade dos meus queridos.
É como se estivéssemos num momento de desconexão. Mas não vejo pelo lado negativo, sei que com meus amigos de verdade me reconectarei no primeiro encontro.
Mas, se te incomoda, acredito que deva ser clara e direta com eles, costuma ser o melhor caminho!
Abraços

Ítalo Diego Fiamoncini disse...

Ciao Erica.
eu estou indo pra Milano em março de 2012.
e estou procurando contatos na cidade.
Você poderia me mandar um email para trocarmos algumas experiencias?
italodiego83@gmail.com
bacci
grazie mille

Erica Moreira disse...

Oi Anna, sem dúvida a verdadeira amizade permanece forte mesmo quando passamos tempo sem convesarmos, mas o difícil é não sentir a carência dos amigos quando estamos longe.

Glenda, também acho um descaso e sempre estou puxando a orelha deles, mas ...

Carla, obrigada!

Oi Juliana, sempre deixo meu msn aberto, mas descobri que acessando o msn pelo celular acabo sempre ficando offline.

Flavia e Valéria acho que realmente o negócio é aceitar o jeito de cad um. É inútil querer que as pessoas sejam como desejamos.

Allan, como sempre seus comentários são demais! Já estou fazendo os testes e está funcionando...hahaha

Jana, eu já fui clara com eles. Tb sou preguiçosa para escrever e-mails, no entanto acho que quando a gente se preocupa com as pessoas fazemos contato. Como escrevi anteriormente, a questão é aceitar cada um do seu jeito.

Artes da Cris disse...

Oi Érica, pela primeira vez comentando. Entendo perfeitamente o que você sente pois já morei fora (EUA por 4 anos) e é isso mesmo. O que o Allan disse é perfeito:o mundo muda tanto para quem está fora e quem fica, continua levando aquela "vidinha" e esquece dos outros que eles acham estar no paraíso. Quando voltei me sentia um E.T. pois não entendia o comportamento da minha família, das pessoas em geral, etc. Demorei vários anos para me acostumar. Morar fora não é fácil, não!
Outra coisa: brasileiro não tem muita etiqueta, esquece de responder e-mails, está sempre voltado ao próprio umbigo...
Bjo e força,
Ana.

Cleide Garcia disse...

Oi Erica, conheci o seu blog através do blocg matraquiando e o sigo há algum tempo, e quando li o seu desabafo, me foi muito familiar, pois já senti a mesma coisa quando morei longe dos amigos e familiares, mas não soube retratar tão bem quanto você. Beijinhos á vocês e força aí hein!!!

ERICA RITACCO disse...

Olá Cleide,

Seja bem vinda! É sempre bom compartilhar idéias e ter um feedback dos leitores.

Você mora no exterior ou morou?

Um abraço