22/07/2011

Personagens Nazistas: Recordação e Destruição

Durante esta semana li algumas notícias sobre o período do nazismo. Ainda nos dias de hoje o assunto causa polêmica entre jovens e adultos e ao contrário do que nós imaginamos no Brasil, não são poucos os que seguem esse tipo de ideologia. Se para as pessoas normais o Holocausto causa vergonha, digamos que existem muitos neonazistas espalhados por aí, pregando a supremacia como algo positivo. Tenho amigos que estudaram em universidades no norte da Itália, que contam que é normal ver nas paredes das faculdades pichações que são puramente apologia ao fascismo, nazismo, racismo e outra TRISTE série de "ismo".
  
Enfim, não pretendo divagar sobre o assunto, até porque minha opinião a respeito é bem extrema. Porém, acho que vale a pena compartilhar duas notícias que eu li no Corriere della Sera. Apesar de serem fatos distintos e sem ligação, contextualmente os considero bem contraditórios. Explico melhor: uma notícia fala sobre a destruição da tumba de um nazista, que por anos atraiu peregrinos que o adorava. Já a segunda enfatiza o leilão do diário de um dirigente nazista, que foi vendido por 300 mil doláres.  É como se a Alemanha quisesse acabar com terríveis recordações e não alimentar mais a ridícula idéia de supremacia, que ainda impera em diversas partes do mundo. Ao mesmo tempo, a questão da venda do diário, com anotações  e o cotidiano de um hitlerista acaba mantendo a história sempre viva. 



Vamos aos fatos: a destruição da tumba e exumação dos restos de Rudolf Hess, o braço direito de Hitler, foi resultado da decisão da igreja Anglicana, proprietária do terreno onde estavam seus restos. Acontece que todos os anos, no dia 17 de agosto, peregrinos europeus neonazistas visitavam o cimitério de Wunsiedel em Baviera (Alemanha). Tal fato incomodava, obviamente, muitos antifascistas que acabavam fazendo protestos. Em 2004 foram presas 110 pessoas que participavam de uma peregrinação juntamente com três mil indivíduos. Dos presos, 74 possuíam símbolos nazistas e armas. Este ano, a  igreja finalmente colocou um ponto final a este cenário, que acabava mantendo acesas determinadas ideologias. 
  
A notícia sobre a venda do diário, publicada no caderno Cultura do Corriere della Sera, falava sobre desenhos de Josef Mengele, o "anjo da morte de Auschwitz". Com essas poucas palavras já dá para imaginar o que vem pela frente. As informações diziam que foi colocado em leilão, em Connecticut (EUA), um diário com 4 mil páginas do médico nazista, que utilizava os prisioneiros como cobaia nos campos de concentração. Morto no Brasil, em 1979, com 67 anos, foi considerado  uma das pessoas mais terríveis que atuaram no campo de extermínio. Em poucas palavras, era ele quem decidia o destino dos prisioneiros, ou seja, se iriam trabalhar ou se iriam para a camera de gás. Ao mesmo tempo fazia os mais cruéis e bizarros experimentos com hebreus, ciganos, portadores de deficiências e até crianças.

Fazem parte deste diário várias cartas, poesias, anotações e desenhos feitos por Mengele entre 1960 e 1975. Segundo a matéria, o diário explica como ele fugiu da Alemanha para a América do Sul, e consequentemente pode exclarecer que tipo de cobertura política ele tinha nesses países. A casa de leilão Alexander Autographs informou que o diário foi comprado por um colecionista hebreu ortodoxo.
Eu me pergunto se é justo e correto que este documento fique em mãos de somente uma pessoa (propriedade privada), já que trata de assuntos relacionados a uma história que envolve o mundo inteiro. Por que tal documento não vai diretamente a um órgão público, que possibilite o conhecimento e compartilhamento da verdade para todos, que permita aos estudiosos nos ajudar a compreender o que e por que tantas coisas aconteceram. 

 

  
Leia as notícias na íntegra: 

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