20/07/2012

O Jogo do Anjo

Terminei de ler recentemente o livro O Jogo do Anjo (Il Gioco dell'Angelo, em italiano). A estória, escrita pelo catalão Carlos Ruiz Zafón, mesmo autor do best-seller A Sombra do Vento (L'ombra del Vento), se desenvolve em uma Barcelona gótica em meados dos anos 20 e se estende até pouco depois da guerra civil espanhola, (1939). 

"Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente o doce veneno da vaidade no sangue e começa a acreditar que, se conseguir disfarçar sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de garantir um teto sobre sua cabeça, um prato quente no final do dia e aquilo que mais deseja: seu nome impresso num miserável pedaço de papel, que certamente vai viver mais do que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento porque, a partir daí, ele está perdido e sua alma já tem um preço."

Assim começa O Jogo do Anjo e ouso afirmar que o parágrafo acima representa muito  bem a estória vivida pelo personagem David Martín, jovem que ao ser impedido de viver todas as fases normais de um adolescente, acabou por assumir grandes responsabilidades sozinho. Quando menino, se apaixonou perdidamente pela literatura, chegando ao ponto de ser agredido fisicamente várias vezes por seu pai, que não aceitava que ele tivesse o hábito de ler.

Com a morte precoce do pai, foi recomendado por seu tutor e melhor amigo, Pedro Vidal, para trabalhar no jornal A Voz da Indústria, onde em pouco tempo passou a atuar como jornalista. Aos poucos, Martín se desenvolveu profissionalmente e foi contratado pela editora Barrido e Escobillas para escrever uma série mensal chamada A Cidade dos Malditos, que exigia dedicação total e que seus textos fossem assinados com um pseudônimo. Apesar da alta carga de trabalho e da impossibilidade de assinar seu nome em suas estórias, David estava feliz com a oportunidade de exercitar o que mais amava fazer: escrever.

Ele ficava semanas trancado em seu estúdio, na assustadora Casa da Torre (onde morava), sem nem ao menos ver a luz do dia. Trabalhava enlouquecidamente para entregar tudo em dia, se afastou de seus amigos Pedro Vidal e Sempere (proprietário da livraria) e passou a evitar todas as possibilidades de contato com o mundo exterior. Se distanciou de Cristina, o amor de sua vida, e ela por sua vez, em pouco tempo, se casou com Pedro Vidal.

Foi exatamente da calmaria que nasceu o grande caos na vida de Martín: sua obsessão por livros, seu objetivo de ficar famoso e imortal, seu amor pela bela Cristina e a descoberta de que estava com câncer terminal, o impulsionaram a tomar decisões que mudariam para sempre a sua trajetória. 

Numa certa manhã,  David recebeu a visita de um editor parisiense Andreas Corelli, durante a qual se surpreendeu com uma proposta, que o beneficiaria com uma "generosa" remuneração e lhe daria a oportunidade que ele tanto desejava: ser imortal. Para isso, ele teria que desenvolver uma nova "Bíblia", que serviria como fundamento para a criação de uma nova religião. Martín decidiu aceitar a proposta, apesar de sua preocupação com o fato de ter um longo contrato de exclusividade com a editora Barrido e Escobillas. Isto porque Corelli lhe garantiu que providenciaria, juntamente com seus advogados, o encerramento dessas cláusulas contratuais com a antiga editora. No dia seguinte a notícia estava impressa em todos os jornais: um incêndio na editora Barrido foi responsável pela morte dos sócios, colocando, a partir daquele momento, fim no contrato de David, que estaria livre para trabalhar duramente para Corelli.
Esse foi o primeiro dos inúmeros "acidentes" e mortes que viriam a acontecer, depois da proposta de  Corelli. 

Se você pretende ler o livro, pare por aqui!
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A história definitivamente não me cativou. Para ser sincera, esta é a segunda obra de Zafón que não me conquista. Diversos cenários e momentos descritos no livro me fizeram relembrar a Sombra do Vento. Em meu ponto de vista, acho que falta dinâmica na história e um pouco de criatividade por parte do autor para criar um  cenário mais original e diferente daquilo que que vimos anteriormente. Os próprios personagens são parecidos em ambos os livros e os mistérios de Barcelona são citados sobre a mesma perspectiva. Um livro sem sal e sem açúcar. Não recomendo!