12/09/2013

Até Logo Gute!


O dia de ontem marcou um momento muito triste em nossa vida. Perdemos uma pessoa muito especial: meu sogro Gute. Desde quinta-feira, quando ele teve um AVC hemorrágico, estávamos em muitos rezando para que ele saísse do coma e que tivesse o mínimo de sequelas possível. Em alguns momentos, mesmo em coma, ele reagiu e nos deu a esperança de que conseguiria superar essa dificuldade. Eu, particularmente, achei que se ele tivesse que nos deixar, não teria esperado uma semana. Tínhamos a certeza de que ficaria conosco e só pedíamos para que as sequelas fossem as menores e recuperáveis. Agora sei que talvez ele tenha esperado este tempo para tranquilizar um pouco cada coração e para que pudéssemos nos despedir, alguns em presença, outros em pensamento. Ele nos deu a oportunidade de nos "ligarmos" mais a ele durante todos os minutos da última semana e de termos que lidar com a possibilidade de sua partida.

É difícil pensar em não ver mais alguém que amamos e que nos é importante. Essa ausência provoca uma dor física que parece insuportável. Dói ver os filhos precisarem ser fortes perante uma situação como esta. Dói estar longe. Dói saber que de um modo ou de outro precisamos caminhar adiante.  

Poderia ser mais fácil aceitar a despedida, afinal nós nascemos sabendo que um dia todos iremos embora. No entanto, a gente cresce, trabalha, vive e nunca compreende que teremos que nos deparar com perdas. Dentro de nós sabemos que tudo continua, ou ao menos queremos que seja assim, mas acho que somos egoístas o suficiente para desejarmos ficar juntos aqui para sempre. 

Nos últimos dias pedimos muito pela saúde do Gute, mas Deus não quis que ele ficasse aqui sofrendo. Não seria nem justo que ele tivesse que permanecer em nosso mundo nestas circunstancias.  Ontem, com aquela dor que invadia os corações de todos abrimos o Evangelho aleatoriamente e a página dizia tudo o que precisamos aprender. Reescrevo aqui essas palavras, mas antes peço para Deus confortar o coração da Michele, do Marcelo, Vanessa, Gabriel, Elizete, dos outros filhos e de todos os amigos que hoje sentem a dor da perda. Peço para que o Papai do Céu o receba com muito carinho e que ele faça uma boa viagem. 

Perante à morte, as coisas da vida terrena perdem sentido. Perante a morte, as coisas da vida terrena ganham sentido! É confuso, somos muito pouco espiritualizados para aceitar. No final, todos temos pouco tempo para amar e dizer que amamos, para viver o que tem valor de verdade. Não dá mais para perder tempo! 

Ficam as lembranças, os momentos, o amor. Fica um Gute eterno na sua jovialidade, no seu humor, na sua sinceridade, na sua espontaneidade, em suas criações. Fica um Gute que passou por aqui e fez amizades por onde passou, que criou seus filhos com amor, honestidade e bondade. Fica um Gute que já deixa saudades.
   
Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec
       7 – E a outro disse Jesus: Segue-me. E ele lhe disse: Senhor, permite-me que vá eu primeiro enterrar meu pai. E Jesus lhe respondeu: Deixa que os mortos enterrem os seus mortos, e tu vai e anuncia o Reino de Deus. (Lucas, IX: 59-60).
      8 – O que podem significar estas palavras: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos”? As considerações precedentes já nos mostraram, antes de tudo, que, na circunstância em que foram pronunciadas, não podiam exprimir uma censura àquele que considerava um dever de piedade filial ir sepultar o pai. Mas elas encerram um sentido mais profundo, que só um conhecimento mais completo da vida espiritual pode fazer compreender.
      A vida espiritual é, realmente, a verdadeira vida, a vida normal do Espírito. Sua existência terrena é transitória e passageira, uma espécie de morte, se comparada ao esplendor e à atividade da vida espiritual. O corpo: é uma vestimenta grosseira, que envolve temporariamente o Espírito, verdadeira cadeia que o prende à gleba terrena, e da qual ele se sente feliz em libertar-se. O respeito que temos pelos mortos não se refere à matéria, mas, através da lembrança, ao Espírito ausente. É semelhante ao que temos pelos objetos que lhe pertenceram, que ele tocou em vida, e que guardamos como relíquias. Era isso que aquele homem não podia compreender por si mesmo. Jesus lho ensinou; dizendo: Não vos inquieteis com o corpo, mas pensai antes no Espírito; ide pregar o Reino de Deus: ide dizer aos homens que a sua pátria não se concentra na Terra, mas no Céu, porque somente lá é que se vive a verdadeira vida.

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