09/02/2014

Bósnia & Herzegovina


Após a incrível experiência que tivemos no parque Plitvice, voltamos para Slunj onde terminamos a noite. Na manhã seguinte, levantamos bem cedo e fomos para Bihac, na Bósnia. Tínhamos combinado de fazer rafting por lá, pois a cidade é famosa por ter um parque natural muito atraente para os amantes deste esporte. Além disso, o parque oferece apartamentos para quem passa o dia fazendo rafting. Apesar de toda a programação, acabamos mudando de ideia na última hora. Como o dia estava muito frio fomos conhecer a cidade. 



Para começar, após termos que encarar a "cara de mal" dos policiais na fronteira entre Croácia e Bósnia, chegamos em Bihac e fomos parados dentro da cidade por um outro policial que falava com a gente na língua deles: "hibtizhacrybes zyrismttsbadptz xusrla". Imagine a gente: "sorry, do you speak english or italian, please?". Ele nos olhou com um ar desconfiado e disse "NO BOSNIANNN?" e nos liberou!

Não sei a razão, mas nós sempre somos parados pela policia nos países do leste. Vai entender!



Bem, em seguida estacionamos a moto e começamos a explorar o local. A sensação foi de choque total ao vermos os sinais da guerra, que durou de 1991 a 1995, espalhados por cada muro, monumento, igreja, hotéis, restaurantes, etc. Se a Croácia praticamente conseguiu recuperar sua economia, principalmente graças ao turismo, esta parte do território Bósnio está bem longe de fazer o mesmo. 


Na cidade existiam muitas casas bombardeadas, que sequer foram reconstruídas, vários moradores ainda vivem em suas casas com marcas de balas na janela. A pobreza por ali "pega pesado". O salário mínimo para quem tem emprego é de € 400,00 por mês. As crianças, lindíssimas, diga-se de passagem, saem nas ruas pedindo dinheiro ou brigando para cuidarem de carros em busca de um "trocado". Elas se encantam com pouco. Ficamos um tempão parados com uns meninos que adoraram a moto, aliás por onde passávamos os moradores nos olhavam e nos cumprimentavam com um sorriso muito simpático.

Por um lado Bihac tem uma atmosfera triste, que é reforçada por todo este cenário que o tempo ainda não foi capaz de amenizar, por outro tem uma aspecto natural belíssimo, com seu lago azul e seu parques. 


O fato é que os nossos olhos não se acostumaram com toda aquela realidade, com as marcas de metralhadora e menos ainda em ver igrejas, mesquitas e cemitérios por todos os lados, em todas as regiões, com homenagens aos mortos de guerra. Não estou exagerando! Em Bihac você encontra uma escola e ao lado, um cemitério. Se olhar para o outro lado nota várias casas e no meio um cemitério. Na estrada...mais cemitérios, cemitérios e cemitérios. 




Ao caminhar por aquelas ruas eu praticamente senti o que aconteceu ali. Faz 18 anos anos, mas ficou presente na vida de cada um, que perdeu suas casas, famílias e hoje em dia tenta esquecer, ou melhor, esquecer não, erguer a cabeça e seguir em frente, porque a vida continua. 
Por este post dá para notar o conflito de sentimentos que tivemos nesta viagem. Um dia antes, em Plitvice, pudemos sentir a mão de Deus por todo aquele lugar magico. Em Bihac, sentimos a mão do homem e isto dispensa qualquer comentário!
Os cachorros de rua possuem registros

Apesar de tudo, a viagem foi uma experiência nova, principalmente porque nunca estivemos em um território nestas condições. Após caminharmos bastante a pé, resolvemos pegar a moto e explorar cada espacinho de terra. Saímos do centro da cidade e fomos para o "interiorzão", ver como viviam os moradores mais afastados. Foi numa estradinha distante, no meio do nada, com a vista de um castelo, uma mesquita, um campo de futebol e muita vegetação, que vivenciamos o momento mais bonito em Bihac. Exatamente lá no alto, olhando em direção a um cemitério muçulmano nos deparamos com uma diversidade de borboletas coloridas, que pareciam fazer parte de uma obra de arte. Foi lindo! Pareciam fazer parte daquele lugar, que ao invés de triste, era alegre. Ficamos por lá por ao menos uma hora, observando, ouvindo o silêncio e "digerindo" toda aquela informação. 






 De lá voltamos para o centro, onde ficamos até escurecer. Almoçamos, aliás a comida típica deles era a carne, praticamente os mesmos tipos de carne da Croácia. Como já não suportávamos mais tanta carne, acabamos pedindo uma pizza para cada um, três copos de cerveja de 500 ml e uma banana Split. Ao contrário do que esperávamos, a pizza estava uma delícia e pagamos no total somente € 12,00 (taxa de serviço inclusa), ou seja, de graça. 

Ficamos por horas observando a população que ia e vinha, estudantes, trabalhadores, muçulmanos que acompanhavam cristãos, mulheres com cabelos azuis, cor de rosa, laranja, etc. 






Informações:

BIHAC é uma cidade da Bósnia e Herzegovina, localizada na parte ocidental na fronteira com a Croácia. De 1991 a 1995 foi palco de um dos maiores massacres dos últimos anos, provocados pelos Sérvios. 

O conflito, que foi ignorado por todos os países europeus, resultou em histórias horríveis de estupros e mortes de muitos bósnios muçulmanos e croatas. 

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