16/03/2014

De volta à Croácia: Museu da Guerra em Karlovak





Ao anoitecer voltamos para Slunj, onde dormiríamos para, no dia seguinte, levantarmos cedo e irmos para Pula. Na estrada fomos surpreendidos por um carro que havia passado por nós no sentido contrário. Ele retornou, voltou para a estrada em nossa direção e nos fez encostar a moto. 

"Meio que sem compreender" o que estava acontecendo, paramos. O homem se apresentou como um policial (à paisana), e disse que nos viu fazendo uma ultrapassagem irregular. De fato, o Marcelo ultrapassou um caminhão em local proibido, pois estávamos ha um tempão andando a 30 quilômetros por hora em uma estrada com velocidade permitida de 130 km por hora.  

Marcelo entregou os documentos. O policial olhou bem para ele e disse: MARCELOUUU do you know why I stopped you MARCELOUUU? You made a mistake MARCELOUUU! O policial disse que a multa seria de € 500,00, mas como nós eramos turistas ele poderia nos ajudar e nos cobrar menos. Dissemos que pagaríamos a multa na Itália. Resposta NEGATIVA! Ele disse que teríamos que pagar na hora e, que se fosse o caso, nos levaria ao banco para sacar o dinheiro.   

Achamos muito estranho um policial poder negociar multa. Se o valor é 500,00 não dá para pagar menos, right? Só que estávamos no meio do nada, com um cara que teoricamente era um policial, falando um inglês misturado com croata, que nos mostrou seu distintivo - embora estivesse à paisana -, ou seja, acabamos pagando sem termos certeza do que realmente estava acontecendo.  Pagamos € 120,00 e ele nos deu um recibo da multa, que diga-se de passagem, era a primeira do bloquinho de multas dele. Até hoje não sabemos se se tratava realmente de um policial sério ou se fomos corrompidos. 

Na manhã, resolvemos mudar de estrada e fizemos o caminho passando pela cidade de Karlovac. Na estrada também ficamos boquiabertos com a quantidade de casas bombardeadas e cheias de marcas de tiros. A maioria delas continuava intocadas, caídas e apodrecidas. Chegava a dar nó na garganta ao ver tanta destruição, após quase 20 anos. Enfim, nosso foco era a praia e seguimos em frente, tentando não pensar muito no que havia acontecido, mas foi bem naquela estrada que nos deparamos com um imenso Museu da Guerra a céu aberto. Surprise!





Descemos da moto, tiramos nossa máquina fotográfica e, mais uma vez, começamos a viajar entre as datas e histórias daquele País. O local tinha sido simbolo militar de extrema importância desde 1592 até os anos da última guerra, quando foi completamente destruído. Durante a Guerra, aquele prédio, desativado e destruído, tinha sido local de negociações militares, troca de prisioneiros e proteção a refugiados.  

No meio dessas construções militares estavam as armas, tanques de guerra, aviões de combate derrubados, entre outros. Tudo foi nitidamente abandonado ali, sem o menor cuidado. Entrei em um canhão de guerra enferrujado para tentar imaginar como um soldado enxergava o mundo do outro lado, mas não consegui sentir mais nada além de tristeza. Lá dentro ainda tinha os resquícios do passado: objetos e panos usados pelos soldados, vazamento de óleo etc.










 Os croatas estão desenvolvendo um projeto para construir um museu naquele local.  

Como disse George Santayana (1863-1952) "...aqueles que não conseguem lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo..."