06/08/2015

A Saga da Amamentação

Hoje vou escrever um pouco sobre a experiência da amamentação. Antes de ter um filho, eu imaginava que amamentar era algo muito natural e fácil. Bastava que a mulher tivesse o bico do peito bem formado e tudo aconteceria naturalmente. Digo bem formado, porque existem muitas mulheres que tem o bico plano ou invertido, o que aumenta o graú de dificuldade para a amamentação. Amamentar não é tão simples assim, mas acredite, é possível. Requer predisposição, muita paciência e força de vontade.

A primeira dica que eu dou é tratar o seio durante a gravidez. Dizem que tomar banho de sol no seio por 15 minutos, todos os dias, ajuda a endurecer o bico, que precisa estar preparado para a sucção. Nada de passar hidratantes ou oléo de amêndoa no bico. Alguns até dizem que lavar com água gelada também ajuda. Quem tem o bico invertido ou plano pode contar com a ajuda de conchas, que usadas por alguns meses (durante 3 horas por dia) na gravidez podem ajudar. Aliás, a concha é muito conveniente não só por esse motivo, mas também porque após o nascimento do bebê, pode ser usada no lugar do absorvente de seios, evitando  que o leite vaze e suje suas roupas. Muitas mulheres optam pelo absorvente, mas neste caso é necessário trocá-lo com bastante frequência para evitar a proliferação de bactérias que podem ser transmitidas ao bebê. 

Outra dica em caso de o bico do peito ser plano ou invertido é usar uma seringa somente para puxar o bico para fora.


Tipo de seringa que ajuda a puxar o bico para fora
Bico de silicone útil para amamentar em caso de bico machucado
Concha
.  


Por que tudo isso? 

Quase ninguém comenta, mas a verdade é que amamentar é gostoso somente depois do primeiro mês do bebê. Nos primeiros dias dói, sangra, falta leite, empedra, acontece de tudo. Várias vezes surge uma vontade de desistir e a única coisa que faz com que você persista é saber que seu filho precisa preferencialmente do seu leite.


Se não bastasse a dificuldade da amamentação, é preciso se preparar para lidar com palpites "full time" de todo mundo dizendo que você precisa necessariamente amamentar. Então imagine você com um bebê recém nascido, exausta do parto, com dores da cirúrgia (em caso de cesária), com o stress por não saber lidar com um serzinho tão pequeno e dependente, sem conseguir amamentar (ou porque o bebê não 'pega' o peito, ou porque o peito pode estar tão machucado que passa ser impossível 'dar de mamar'. Imagine esta cena e um monte de gente te dizendo "você precisa amamentar". Pois então a dica é: dê um basta aos palpites! Acredite, será mais fácil sem eles. Aprenda a filtrar somente as opiniões que realmente podem auxiliar, principalmente se você for mãe de primeira viagem.


Amamentar bem para mim demorou cerca de um mês e meio (45 longos dias). Eu passei por todas as fases. Como comentei no post do nascimento do Matteo, meu parto ficou arriscado e tiveram que me dar anestesia geral, além da epidural. Em decorrência disso, os médicos me proibiram até de deitar de lado, de colocar travesseiro embaixo da cabeça, de sentar ou levantar. Por quatro longos dias eu não pude me mexer e, portanto, não consegui amamentar o Matteo, apesar das várias tentativas falidas. Isto significa que quando saímos do hospital, ele estava em um stress absurdo por fome e não aceitava o peito. Como o bebê pode ficar até uma semana sem comer (quando ele nasce), no hospital não deram leite artificial, o que me deixou muito nervosa e fez com que ele perdesse mais peso do que o normal. Nós adultos também conseguimos ficar dias sem comer, mas não é por essa razão que não sentimos fome.


Enfim, chegando em casa fizemos malabarismos para ele 'pegar'. Chegamos até a usar uma seringa com um caninho (foto abaixo), na qual colocávamos um pouquinho de leite e aproximavámos o caninho do peito. Quando ele fazia os movimentos com a língua para mamar, apertavamos a seringa para que saísse o leite e ele relacionasse a sucção com o alimento. Quase o viramos de ponta cabeça para que ele aceitasse o peito, até que deu certo. A sensação de alívio foi imediata, mas junto com ela chegaram as dores no peito. Eu não me preparei para a amamentação, então machucou, sangrou, aconteceu de tudo, mas depois de muita persistência superei essa fase. 


Seringa com caninho e Conchas 

No entanto, não pára por aí. Depois disso, notei que dia sim dia não, reduzia consideravelmente a produção de leite. Ele ainda mamava pouco. Passava 1h10 minutos no peito, mas como era muito pequeno dormia demais e sugava pouco. Além disso, o stress das noites mal dormidas e de todas as novidades não ajudava muito.

Certo dia, notamos que ele sugava e praticamente não saía leite. Passei o dia na internet procurando soluções. Tomei remédio para aumentar a quantidade de leite, tomei chás próprios para isso, mas o que ajudou mesmo foi a receita da vovó: canjica. Marcelo fez canjica e de noite comi umas duas taças cheias. No dia seguinte meu peito passou a 'transbordar' e não tive mais esse tipo de problema. 


Canjica

Daí surgiu um outro problema sério: começou a empedrar. Quanto stress! Alí já estava cansada, chateada, com dor e pensei definitivamente em abandonar a amamentação. Notei que várias mulheres não haviam amamentado e os seus bebês eram saudáveis da mesma forma. Pensei "é muito mais fácil ser pai", tive vontade de sumir (não vou mentir), mas ... persisti por ele.

Várias vezes cheguei a passar horas desempedrando leite. Me lembro de um domingo que acordei as 6h da manhá e fiquei fazendo compressa com pano quente, massagem e tirando leite. Fiz isso por 5 horas e mesmo assim não desempedrou completamente. Morria de medo de infeccionar, dar mastite e ter que operar.  Nos intervalos em que o Matteo não mamava ou quando mamava pouco, passei a tirar leite (com um tiraleite manual) e a congelá-lo.

Uma dica é ter sempre na mão um tiraleite (manual ou elétrico). Eu uso um manual da Avent e é ótimo. Vai servir também para quando eu voltar a trabalhar e ele ainda estiver mamando. Avent e Medela são duas marcas muito aconselhadas por mães que já utilizaram o produto. O meu é este abaixo e garanto que funciona, mesmo sendo manual. 



Passadas algumas semanas, aumentou o apetite dele e a saga da amamentação acabou. Agora ele mama bem (até demais) e não tive mais problemas. 

Quis contar minha experiência para motivar as mamães a não desistirem logo de início. Olhando de fora, parece que o mundo todo amamenta, mas não é bem assim. Se você tentou ao máximo e o bebê não 'pegou o peito' ou você não esta produzindo leite suficiente, fale com o pediatra. Tente dar leite materno, complementando com o artificial, se for preciso. Aliás, esqueci de dizer, algumas vezes tive que complementar com o artificial, pois percebia que ele ainda sentia fome. Depois passei a produzir o suficiente e não precisei mais do leite em pó. 

Não se desespere: aos poucos tudo se resolve. Ninguém é mais mães ou menos mãe, se não conseguir amamentar. Os bebês crescem lindos e saudáveis da mesma forma. Só não desista logo no início, pois as vezes parece ser impossível e no fim das contas não é.

6 comentários:

Andrea Fanhoni disse...

Muito bom o seu depoimento, passei por dificuldades parecidas no início, o Marquinho dormia muito e demorou para pegar o peito, mas insisti e valeu a pena. Depois que engrena, além de ser ótimo para o bebê, também para as mães é muito melhor. Viajei muito, ia para qualquer lugar sem me preocupar com mamadeira, onde esquentar o leite... Está sempre pronto. Era tão tranquilo que amamentei por 15 meses, reduzindo aos poucos a partir dos seis meses, quando ele começou a comer outras coisas, nos últimos meses era só à noite, antes de dormir. Uma boa dica dada por uma obstetra do consultório familiar aqui de Carrara é o livro "L'Alimentazione Naturale del Bambino", di Tiziana Valpiana. Parabéns por insistir e superar essa fase, e boa sorte!

ERICA RITACCO disse...

Olá Andrea Fanhoni, engraçado é que são poucas as pessoas que assumem ter dificuldade em amamentar. Tenho amigas próximas aqui na Itália que nunca sequer comentaram ter tido problemas. Quando comecei a passar por isso e me desesperar acabaram me dizendo que quase tiveram mastite, outra que estava dando leite artificial pois tinha pouco leite. Não sei se é sentimento de culpa, mas evitam falar sobre o assunto, quando na verdade a conversa pode ajudar e muito seja elas, que as futuras mães.

Legal a dica do livro. Você chegou a ler?

Obrigada pela visita.

beijo

Andrea Fanhoni disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Andrea Fanhoni disse...

Ops, postando novamente:
Realmente não se fala muito. Eu fiz aqui um curso pré-parto que fazia parte do percurso pré-natal, e a instrutora era ótima. Quando comecei a ter problemas, liguei para ela, que me deu o telefone de uma mãe experiente, e ela me deu conselhos e a maior força para ir adiante. Eu também estava muito determinada, e por isso não joguei a toalha, mas chorei muito em certos momentos!
Sobre o livro, ele foi o meu guia por uns dois anos. Tem ótimas dicas, e usei como suporte às orientações da pediatra. Agora está emprestado a uma amiga que tem um bebê de nove meses, e ela também está gostando muito.
Foi um prazer ler o seu texto e qualquer coisa, estou por aqui - também via FB.
beijo

Marcel Silva disse...

Erica, qual remédio você tomou para aumentar a produção de leite?

Ritacco disse...

Oi Marcel, peça na farmácia chá para aumentar a produçao de leite. Eu tomava duas vezes ao dia.
Ela esta tomando vitaminas? Aqui eu tomo Multicentrium Materna. É um complemento alimentar importante pois o bebê consome todas as vitaminas da mãe.

Na Italia eu tomei um chamado Lactogal Plus. Não sei se leva o mesmo nome aí. Caso não, pergunte ao pediatra o nome de um.

De qualquer modo ela precisa comer muita proteíina, muita mesmo.

Faça a canjica. É muitooooo bommm