14/03/2022

Mae é mae!

Olha eu aqui de volta... 

Eu sempre penso neste blog como um diario que ajudarà nossos filhos e netos a nos conhecerem com profundidade e a saberem quem fomos, quando nao estivermos mais nesta dimensao. Uma visao romantica de mim, faz eu imaginar meus netos contando nossa historia para os filhos deles. E é por essa razao que muitas vezes eu escrevo sobre nossas experiencias mesmo que ja tenham acontecido ha algum tempo. 

Hoje é dia de falar sobre minha mae. Em posts anteriores eu havia exposto minha insatisfaçao com o fato de o Ministério da Saude italiano nao ter aprovado a entrada dela na Italia, porque o Brasil estava com muitos casos de Covid até o ano passado. Acabamos esperando inutilmente que as leis mudassem para ela vir e nada aconteceu. Nos ultimos dias da minha gravidez eu estava tensa com o fato de fazer uma cesaria sem ter minha mae por perto. Sabe como é, mae é mae!

Ela, que ja havia comprado a passagem e ja tinha feito varios presentinhos para o Federico, também estava frustrada. No entanto, sabe aquele ditado que diz que a gente tem que aprender a confiar mais e a se preocupar menos? Pois é, nas vésperas do meu parto, o chefe do Marcelo ligou dizendo que por questoes burocràticas relacionadas aos casos de covid, ele seria afastado da empresa no mes de Setembro. Inacreditàvel, né? Da para imaginar o alivio que sentimos ao saber disso? Em uma circunstancia normal, teriamos ficado muito preocupados com o andamento das coisas na empresa dele, mas nesta situaçao, tenho certeza de que nossos mentores espirituais deram uma maozinha. Agora eu sabia que teria meu bebe com serenidade e nos dias seguintes Marcelo cuidaria de nòs tres, sem que precisassemos contratar alguem de fora para nos ajudar. Na verdade, eu nao queria contratar ninguem porque sabia da complexidade que é ter um bebe novo em casa, das dificuldades da amamentaçao e de como é gerenciar os primeiros dias de um bebezinho. 

O primeiro problema tinha se resolvido sozinho e se eu pensar bem, todo o meu nervoso e preocupaçao foram completamente desnecessarios. A segunda questao era nao ter minha mae por perto, mas essa também se resolveu em seguida. Minha sogra nos ligou um dia comentando que a Suica tinha aberto a fronteira para os vacinados e que Madrid tambem tinha reaberto, portanto a soluçao seria ela vir por Genevra e nòs irmos busca-la. Ela chegou 14 dias depois do nascimento do Federico, trazendo muito amor e energia boa para nossa casa. 

Chegando na Suiça


Pela primeira vez em tantos anos passariamos dois meses juntas, todos os dias. Nossa... como foi bom estar com ela neste periodo. Desta vez, diferentemente das outras, nao passeamos muito, ficamos mais em casa curtindo a familia, mas foram momentos muito bons. Eu diria que foram inesqueciveis, principalmente para Matteo que tem pouco convivio com ela. Em tempos de bebe novo, de maternidade, de caos mental, ela veio com toda a sua clareza, sua firmeza em suas açoes e sua alegria. Convivendo e observando como ela se comportava em varios momentos e situaçoes, eu senti orgulho! E senti também ainda mais amor e gratidao por te-la por perto. 

Isto sem contar toda a ajuda que ela nos deu. Mae é mae! Ela foi muito parceira e permaneceu conosco, mesmo tendo que enfrentar o inicio do inverno em que ela sofreu bastante. 




Ao ver Matteo tao feliz de poder ser paparicado pela avò, de dormir juntinho, de te-la levando-o e buscando-o na escola, eu sò poderia me sentir privilegiada. As vezes me entristeço por nao dar a possibilidade de meus filhos conviverem de perto com as familias, mas no fundo, nòs e eles somos privilegiados por termos as pessoas que mais amamos saudaveis e vivas. Somos privilegiados por vermos os olhinhos de nossos filhos brilharem quando recebem o amor das avòs. Cada carinho que recebemos de minha mae, cada gesto, cada pao e bolo que ela fez, fizeram transbordar nossos coraçoes. 

Embora evitassemos sair por causa do frio e pelo Fede ser muito pequeno, fizemos alguns passeios em que riamos como bobos por coisas simples. Isto mesmo, aos poucos, na vida a gente aprende que uma garrafa de vinho e umas taças de plastico em uma montanha gelada podem ficar eternizadas na alma. 












Nao precisa de muito dinheiro, de jantares caros e de roupas de marca. Aos poucos a gente entende que simples passeios na ciclovia perto de casa tambem se eternizam, que nao é preciso inventar muito para ser feliz e que até assistir filme comendo pipoca fica marcado no coraçao se estamos com quem amamos. E' isso, todos os instantes que passamos com ela nestes dois meses tiveram uma influencia muito positiva em minha vida e me tocaram de maneira profunda. 

Também foi desta vez que passamos meu aniversario juntas depois de 13 anos. De pensar que passei todo esse tempo sem receber o abraço da minha mae no dia do meu aniversario e finalmente este ano acordei com ela... foi lindo! O melhor presente que eu poderia receber. 


Mas como tudo tem começo, meio e fim, a estadia dela tambèm chegou ao fim :( Lembro-me dela se despedindo para voltar ao Brasil, daquele chororo de nòs tres na hora do tchau, da dor que senti no peito quando ela me deu um beijo e agradeceu por tudo, como se fosse ela quem tivesse que agradecer por alguma coisa e nao nòs por tudo o que ela nos trouxe. 

E' incondicional e profundo o meu amor. Eu diria que parece que ele aumenta cada dia mais, nao sei explicar, entao sò cabe a mim agradecer por ela existir, por ser minha mae e por sempre, durante toda a minha vida, estar presente nos momentos mais importantes. 



Um comentário:

Rosemeire Moreira disse...

Filha, tive que conter as lágrimas para poder escrever. Foi muito bom ter estado com vocês ah! O que fiz não foi nada, perto da felicidade de estar aí acompanhando tudo de pertinho. Frio, nem foi tanto assim só os dedos ficaram roxos, mas o coração super aquecido de tê-los pertinho, pegar Federico no colo e acordar no meio da noite sendo quase sufocada pelo abraço carinhoso do Matteo. Esse amor não se mede. Sou muito feliz por ter vocês em minha vida. Amo-os incondicionalmente